O Ministério da Saúde do Brasil retomará, a partir de 3 de agosto, o segundo reforço da vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos, utilizando a versão injetável. A decisão segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), após estudos evidenciarem a importância de um reforço na fase pré-escolar para prolongar a proteção contra a doença.
Mudança na estratégia de vacinação
Até então, o esquema vacinal contra a pólio no Brasil consistia em três doses da vacina injetável (VIP) aos 2, 4 e 6 meses, seguidas de dois reforços com a vacina oral bivalente (VOPb) aos 15 meses e aos 4 anos. Com a retomada, o segundo reforço passa a ser feito com a vacina injetável, em vez da oral. A mudança visa fortalecer a imunização e manter o país livre da poliomielite, certificado desde 1994.
Baixa cobertura vacinal preocupa
A cobertura vacinal contra a pólio no Brasil não atinge a meta de 95% desde 2016, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2025, a cobertura com o esquema básico foi de 84%, e o primeiro reforço atingiu apenas 76%. A baixa adesão aumenta o risco de reintrodução do vírus, especialmente em um cenário de queda global da imunização. O Ministério espera que a retomada do segundo reforço ajude a recuperar os indicadores.
Recomendação internacional
A OMS recomenda que países com transmissão endêmica ou risco de reintrodução mantenham um reforço adicional na idade pré-escolar. Estudos publicados em 2025 mostraram que a proteção conferida pela vacina injetável é mais duradoura que a oral, justificando a mudança. "A decisão se baseia em evidências científicas robustas que indicam a necessidade de um reforço aos 4 anos para garantir imunidade prolongada até a adolescência", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel.
Impacto esperado
A retomada do segundo reforço com dose injetável deve beneficiar cerca de 3 milhões de crianças na faixa etária de 4 anos. O Ministério da Saúde adquiriu 12 milhões de doses da vacina injetável para atender à demanda do segundo semestre de 2026. A campanha de vacinação será realizada em todas as unidades básicas de saúde do país, com início em 3 de agosto.
Contexto global
A poliomielite é uma doença altamente contagiosa que pode causar paralisia irreversível. Embora o Brasil esteja livre do vírus selvagem desde 1989, a circulação do poliovírus derivado de vacina ainda representa risco em países com baixa cobertura. A OMS classifica a pólio como emergência de saúde pública internacional desde 2014. A retomada do reforço no Brasil alinha-se às metas globais de erradicação.



