Um novo estudo publicado no Journal of Adult Development concluiu que pessoas nascidas nas décadas de 1960 e 1970 – a chamada Geração X – apresentam níveis mais elevados de resiliência psicológica em comparação com gerações anteriores e posteriores. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Michigan, analisou dados de mais de 10 mil participantes ao longo de 20 anos.
Crises como fatores de fortalecimento
Segundo os pesquisadores, o segredo está nas adversidades enfrentadas durante a juventude: crises econômicas globais, instabilidade política e a rápida transformação tecnológica. “Eles cresceram num período de transição, sem a proteção digital que temos hoje, o que os obrigou a desenvolver habilidades práticas de adaptação”, explica a Dra. Susan Charles, coordenadora do estudo.
O levantamento mostrou que 72% dos entrevistados nascidos entre 1960 e 1979 relataram alta capacidade de superar dificuldades, contra 58% dos baby boomers e 65% dos millennials.
Menos dependência tecnológica
Outro fator apontado é a ausência de internet e smartphones na infância e adolescência. “A Geração X aprendeu a resolver problemas sem recurso imediato à tecnologia, o que fortaleceu a autonomia e a tolerância à frustração”, afirma o psicólogo Eduardo Ferreira, coautor do artigo.
Os dados indicam que 68% dos participantes desse grupo consideram ter tido uma infância “livre de telas”, o que está associado a maiores índices de resiliência na vida adulta.
Impacto na saúde mental
A resiliência não só ajuda a lidar com estresse, mas também está ligada a menores taxas de ansiedade e depressão. O estudo revelou que a prevalência de transtornos de ansiedade entre a Geração X é 15% menor do que entre os millennials, mesmo considerando diferenças geracionais no acesso a diagnósticos.
“Isso não significa que a Geração X seja imune a problemas psiquiátricos, mas que desenvolveram estratégias de enfrentamento mais eficazes”, ressalta Ferreira.
Contexto brasileiro
No Brasil, o fenômeno é particularmente notável. Os nascidos nos anos 60 e 70 viveram a ditadura militar, a hiperinflação e a redemocratização. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eles representam cerca de 25% da população adulta atualmente.
“Eles precisaram se reinventar profissionalmente várias vezes. Quem viveu o confisco da poupança de 1990, por exemplo, aprendeu a não confiar cegamente em instituições”, observa a historiadora Maria Silva.
Críticas ao estudo
Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que a resiliência não deve ser romantizada. “Algumas pessoas dessa geração desenvolveram dificuldade em pedir ajuda, o que pode ser prejudicial”, pondera a psicóloga clínica Ana Costa.
O estudo também destaca que a resiliência não é fixa: é possível desenvolvê-la em qualquer idade com treinamento adequado. “O importante é reconhecer que cada geração tem suas forças e fraquezas”, conclui a Dra. Charles.



