Reações da vacina da gripe: o que esperar e por que não temer
Reações da vacina da gripe: o que esperar e por que não temer

A vacina da gripe é uma das mais aplicadas no mundo, com décadas de uso e um histórico extenso de segurança. No entanto, dúvidas sobre os efeitos colaterais ainda fazem muitas pessoas adiarem ou abandonarem a imunização, especialmente antes do inverno, quando a proteção é mais necessária. Entender o que realmente acontece no corpo após a aplicação ajuda a separar reações normais de situações que exigem atenção médica.

Quais são as reações mais comuns da vacina da gripe

A vacina contra a gripe é produzida com o vírus inativado. Por isso, quando ocorrem reações, geralmente são leves, como febre e dor local, e os efeitos são benignos e de curta duração. As reações mais frequentes incluem: dor, vermelhidão e inchaço no local da injeção; febre baixa; cansaço leve; dores musculares; e dor de cabeça. Febre, mal-estar e dor muscular ocorrem em 1% a 2% dos vacinados, com início de 6 a 12 horas após a vacinação e duração de um a dois dias. Se os sintomas persistirem por mais de 48 horas ou aparecerem sinais fora dessa lista, é recomendável procurar orientação médica para avaliar outros fatores.

A vacina da gripe pode causar gripe?

Esse é um dos mitos mais persistentes em torno do imunizante. A vacina influenza é inativada, ou seja, produzida com partículas virais que não são capazes de causar a doença. O que ocorre é que o organismo reconhece essas partículas e passa a produzir anticorpos – exatamente o objetivo da vacina. Esse processo de resposta imunológica pode gerar sintomas leves, como cansaço ou dor muscular, mas não é a gripe em si. Outra situação comum é a pessoa tomar a vacina e pegar gripe logo depois. Isso pode acontecer porque ela já estava no período de incubação do vírus antes da aplicação, ou foi exposta ao vírus antes de o organismo ter tempo de criar proteção, o que leva cerca de duas semanas. A vacina não é a causa do problema.

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Qual a diferença entre as vacinas trivalente e quadrivalente?

No Brasil, existem dois tipos principais de vacina contra a gripe disponíveis em 2026. A vacina trivalente protege contra três cepas do vírus influenza (dois do tipo A e um do tipo B). A vacina quadrivalente protege contra quatro cepas (dois do tipo A e dois do tipo B), oferecendo cobertura ampliada que inclui um segundo tipo de influenza B, que pode variar a cada ano. Ambas são seguras e eficazes, com formulação semelhante, exceto pela linhagem adicional na quadrivalente, e perfil de segurança equivalente. As vacinas seguem a regulamentação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e podem ser aplicadas em todas as pessoas indicadas. Para idosos com 60 anos ou mais, existe ainda uma terceira opção na rede privada: a vacina de alta dose, com quatro vezes mais partículas virais do que a versão padrão. Ela foi desenvolvida especialmente para esse público, cujo sistema imunológico, com o envelhecimento, pode apresentar resposta reduzida às vacinas comuns.

Quem deve se vacinar todo ano?

A gripe não é uma doença banal para todos os perfis. Mais de 70% dos óbitos por gripe no Brasil ocorrem entre pessoas com mais de 60 anos. Estudos mostram que a vacina reduz significativamente os casos de hospitalização e morte por influenza nessa faixa etária. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação anual é recomendada para crianças a partir de 6 meses, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e qualquer adulto que deseje se proteger. A vacina é atualizada todos os anos porque o vírus sofre mutações: as cepas da temporada anterior são analisadas, e o imunizante é reformulado para cobrir as variantes com maior circulação prevista.

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Quando a vacina é contraindicada?

Os casos em que a vacina não deve ser aplicada são raros. A principal contraindicação é alergia grave, com histórico de reação anafilática a algum componente da vacina ou à dose anterior. Pessoas com febre ou sintomas gripais ativos no dia da aplicação devem aguardar a recuperação completa antes de se vacinar. Reações sérias, como reações alérgicas generalizadas, são extremamente raras. As manifestações neurológicas também são raras, e a frequência da Síndrome de Guillain-Barré associada à vacina é de 1 caso por milhão de doses administradas. Para efeito de comparação, o próprio vírus influenza pode desencadear essa síndrome com frequência muito maior do que a vacina.

O que fazer se as reações incomodarem?

Para dor local, uma compressa fria no braço resolve na maioria dos casos. Para febre baixa ou dor muscular, medicamentos como ibuprofeno ou dipirona podem ajudar, sempre seguindo a orientação do farmacêutico ou médico, pois a indicação varia conforme o perfil de cada pessoa, incluindo contraindicações para crianças pequenas e gestantes. O desconforto geralmente passa em 24 a 48 horas. Segundo a farmacêutica Eliane Messias Rodrigues, responsável técnica da Drogal, a proteção que a vacina oferece dura a temporada inteira, e vacinar-se é a melhor forma de evitar complicações graves da gripe.