Queimadas na Amazônia elevam em 23% internações respiratórias
Queimadas na Amazônia elevam internações em 23%

As queimadas na Amazônia estão diretamente associadas a um aumento de 23% nas internações por doenças respiratórias e de 21% por problemas cardiovasculares em todo o Brasil, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (23). A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de Goiás (UFG), acende um alerta para os impactos da poluição gerada pelos incêndios, que se agravam em anos de El Niño, como 2026.

Impacto na saúde pública

O levantamento analisou dados de internações do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2010 e 2024, cruzando-os com registros de focos de calor na Amazônia Legal. Os resultados mostram que, nos meses de seca intensa, quando as queimadas se concentram, há um pico de atendimentos hospitalares por asma, bronquite, pneumonia e insuficiência cardíaca. Crianças menores de 5 anos e idosos acima de 60 são os grupos mais vulneráveis.

“A fumaça das queimadas não fica restrita à região amazônica. Ela se espalha por milhares de quilômetros, atingindo centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília”, explica a pesquisadora líder do estudo, Dra. Ana Paula Martins, da UFG. “Isso sobrecarrega o sistema de saúde e gera custos evitáveis.”

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El Niño agrava cenário

O ano de 2026 é marcado por um forte El Niño, fenômeno que reduz as chuvas na Amazônia e intensifica a estiagem, criando condições propícias para queimadas descontroladas. O estudo estima que, se as emissões de poluentes continuarem no ritmo atual, as internações respiratórias podem subir mais 15% nos próximos cinco anos.

“Precisamos de uma ação integrada entre os governos federal, estaduais e municipais para combater o desmatamento e as queimadas”, afirma o coautor da pesquisa, Dr. Carlos Alberto Silva. “As políticas públicas atuais são insuficientes e fragmentadas.”

Poluição atinge grandes centros

A análise aponta que partículas finas (PM2,5) liberadas na queima de biomassa viajam longas distâncias. Em 2024, durante a pior temporada de queimadas, a qualidade do ar em Manaus e Porto Velho ficou 10 vezes acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em São Paulo, a concentração de poluentes dobrou em relação à média histórica.

“Os efeitos não são apenas imediatos. Exposição prolongada aumenta o risco de doenças crônicas, como câncer de pulmão e problemas cardíacos”, alerta a Dra. Ana Paula.

Necessidade de políticas públicas

Os pesquisadores criticam a falta de coordenação entre órgãos ambientais e de saúde. Eles recomendam a criação de um sistema de alerta precoce para queimadas, com monitoramento em tempo real e ações preventivas, como a distribuição de máscaras e a instalação de purificadores de ar em escolas e hospitais.

“O custo de prevenir queimadas é muito menor do que tratar as doenças que elas causam”, conclui o Dr. Carlos Alberto.

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