Protetor solar no inverno: mito ou necessidade? Entenda os riscos
Protetor solar no inverno: mito ou necessidade? Entenda

Muita gente acredita que protetor solar é coisa de verão, de praia e de calor intenso. Se o dia está nublado e frio, a ilusão de que a pele está protegida persiste. No entanto, essa crença não se sustenta: a radiação ultravioleta não desaparece com a queda das temperaturas. Entender o motivo pode fazer uma diferença real na saúde da pele a longo prazo.

A radiação não tira férias no inverno

O que aquece e dá sensação de calor é a radiação infravermelha do sol. Já os raios UVA e UVB, responsáveis pelos danos à pele, não dependem da temperatura. A radiação UVA penetra profundamente na pele, aumenta o risco de câncer e acelera o envelhecimento. Mesmo em dias frios, nublados ou chuvosos, 80% dos raios solares ultrapassam as nuvens e atingem a superfície. Em São Paulo, num dia de julho com céu completamente coberto, quatro de cada cinco raios UV continuam chegando até você. O dano é cumulativo: cada dia sem proteção soma, e o efeito só aparece anos depois.

Diferença entre UVA e UVB explica o engano

A radiação UVB é mais intensa no verão e entre 10h e 16h, atinge a pele superficialmente e causa queimaduras e vermelhidão – é o raio que se sente. Já o UVA é silencioso: não queima, não provoca reação imediata, mas penetra mais fundo e age o tempo todo, independentemente da estação ou da cobertura de nuvens. É o principal responsável pelo envelhecimento precoce, manchas e risco de câncer a longo prazo. No inverno, o UVB diminui, mas o UVA mantém intensidade semelhante à do verão. A sensação de proteção que o frio passa é ilusória.

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Câncer de pele: o mais comum no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de pele representa 30% de todos os casos da doença no país. O efeito cumulativo da radiação ultravioleta aumenta os riscos de mutações e danos ao DNA ao longo do tempo, com maior incidência entre pessoas acima de 65 anos. Os hábitos de proteção – ou a falta deles – ao longo da vida têm relação direta com a saúde da pele na terceira idade. Isso inclui os invernos sem protetor solar.

Rotina de cuidados no inverno

O inverno também resseca a pele devido ao tempo seco, fragilizando a barreira cutânea. Por isso, além da proteção solar, a hidratação é fundamental, especialmente no rosto. Orientações gerais incluem: aplicar protetor solar todos os dias, mesmo em casa (a radiação entra pelas janelas); usar produtos de amplo espectro (proteção UVA e UVB); reaplicar a cada duas horas em exposição prolongada; e combinar proteção com hidratação para pele seca, que absorve menos ativos. Fórmulas modernas trazem antioxidantes que ajudam a combater danos oxidativos do sol e da poluição. Para o rosto, texturas leves e acabamento seco facilitam a adesão; para o corpo, protetores dermocosméticos aliam proteção e hidratação.

FPS mínimo: o que dizem os dermatologistas

Dermatologistas recomendam o uso de produtos com FPS mínimo de 15. Quanto maior o FPS, maior a filtragem da radiação e maior o intervalo para reaplicação. A escolha deve considerar o tom e o tipo de pele: peles mais claras necessitam de FPS mais alto. Para uso urbano diário no inverno, muitos dermatologistas indicam FPS 30 como piso razoável. Peles muito claras, com histórico de manchas ou exposição prolongada, podem precisar de FPS 50 ou superior. O ideal é consultar um especialista para definir o produto mais adequado. Eliane Messias Rodrigues, farmacêutica responsável da Drogal (CRF/SP 43.895), reforça a importância de verificar a proteção de amplo espectro e a fotoestabilidade do produto.

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