Em 23 de fevereiro de 2023, a professora Rosangela Cristina Ramiro Zabarella, de 48 anos, moradora de Guapiaçu (SP), recebeu o diagnóstico de câncer na mama esquerda. Um mês depois, exames revelaram metástase: o tumor já havia se espalhado para praticamente toda a estrutura óssea do corpo, incluindo ombros, costelas, coluna, bacia e fêmur. Até 2025, a doença se estabilizou, mas em 8 de julho um novo exame apontou progressão, levando a paciente ao estágio paliativo.
Decisão de viver o presente
Diante do prognóstico, Rosangela optou por focar na qualidade de vida. “A vida te ensina a ser forte. Na hora que recebe esse diagnóstico, você tem dois caminhos para seguir: se entregar ou viver e ser feliz. Foi quando verdadeiramente comecei a viver”, afirma. O apoio do marido Ronaldo Pereira, de 52 anos, com quem mantém um relacionamento há 19 anos, e da família foi fundamental para transformar o medo em coragem.
Tratamento e desafios financeiros
Atualmente, Rosangela toma medicamentos orais diariamente, recebe duas injeções de bloqueio hormonal a cada 28 dias e, a cada três meses, faz medicação intravenosa. Ela relata que foi indicada a um tratamento ortomolecular, mas não tem condições financeiras: apenas a consulta custa cerca de R$ 800, e o tratamento gira em torno de R$ 600 mensais.
Realização de um sonho: casamento xamânico
Decidida a não adiar mais seus desejos, Rosangela organizou um casamento xamânico na Cachoeira do Talhadão, em Palestina (SP). A cerimônia, que ocorreu em maio deste ano, reuniu familiares e amigos. “Tudo o que imaginei foi concretizado naquele dia. A energia foi espetacular. Nunca me vi casando de forma tradicional”, lembra.
Novos planos e lições de vida
Apesar das limitações impostas pela doença, Rosangela afirma que a enfermidade lhe ensinou a valorizar cada momento. “Eu tenho algumas limitações, mas isso não me impede de ser feliz. Hoje, eu vivo”, reforça. Entre os próximos sonhos está conhecer as Cataratas do Iguaçu. Mais do que viajar, ela quer continuar colecionando momentos especiais ao lado de quem ama.
O caso de Rosangela ilustra como pacientes em cuidados paliativos podem encontrar significado e alegria, mesmo diante de um prognóstico reservado. Sua história inspira outros a repensarem prioridades e a viverem intensamente cada dia.



