Procedimentos estéticos masculinos crescem 116% no mundo
Procedimentos estéticos masculinos crescem 116%

Entre 2018 e 2024, as cirurgias estéticas em homens cresceram 95% em todo o mundo, enquanto os procedimentos não invasivos — como injeções, laser e peelings — avançaram 116%, conforme a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Em 2024, a cirurgia de pálpebras foi o procedimento mais realizado no público masculino, somando mais de 2,1 milhões de casos, seguida pela rinoplastia (1 milhão) e pelo enxerto de gordura facial (900 mil). A ISAPS aponta que os maiores índices de crescimento estão na América Latina e no Oriente Médio.

No Brasil, o movimento também é notável. “A estética já é culturalmente muito presente no país, há ampla oferta de profissionais e tecnologias e uma aceitação social maior dos procedimentos quando comparada à de muitos outros mercados”, avalia a dentista Dra. Simone Lima, especialista em harmonização orofacial.

Durante muito tempo, o cuidado estético foi tratado como algo exclusivamente feminino. Hoje, porém, cuidar da pele, do cabelo, do corpo e da imagem é visto por muitos homens como parte da saúde, do autocuidado e até da comunicação profissional.

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O que explica a alta na procura

O dermatologista Dr. Flégon David, especialista em preenchimento facial e corporal, acredita que esse é apenas o início do movimento. “O envelhecimento da população, a valorização da performance física, o aumento da expectativa de vida e a busca por bem-estar indicam que esse mercado continuará crescendo pelos próximos anos”, afirma. Para ele, a tendência é de procedimentos cada vez mais preventivos, personalizados e discretos. “Vamos falar menos em transformação e muito mais em naturalidade, qualidade de pele, definição corporal e envelhecimento saudável.”

Outro fator relevante é a exposição constante à própria imagem. Redes sociais, videochamadas e o cotidiano diante de telas fazem com que as pessoas se observem com mais frequência e passem a notar características que antes não despertavam tanta atenção. Ao mesmo tempo, famosos que falam abertamente sobre estética ajudam a normalizar a procura masculina.

Famosos e a nova masculinidade

O jogador brasileiro Vini Jr. surgiu recentemente com uma mudança na aparência: ele fez harmonização facial, que deixou o queixo e o contorno da mandíbula mais marcados. Outros nomes, como MC Daniel e Guimê, também realizaram procedimentos estéticos recentemente, o que pode impulsionar ainda mais esse mercado entre os homens.

Segundo a Dra. Simone Lima, há uma transformação no próprio conceito de masculinidade. “O homem contemporâneo entende cada vez mais que cuidar da aparência não diminui sua identidade masculina. Pelo contrário: pode representar autoestima, saúde e segurança pessoal”, comenta.

O Dr. Flégon David lembra que os casos de celebridades funcionam mais como uma porta de entrada para a conversa do que como causa direta de aumento imediato de procedimentos. “Outro ponto importante é que os resultados ficaram muito mais naturais. O conceito atual é melhorar sem transformar”, diz.

Procedimentos mais buscados na prática clínica

Na rotina da Dra. Simone Lima, os homens buscam especialmente definição mandibular, mento (formato do queixo), nariz, tratamento de acne, cicatrizes e prevenção do envelhecimento. Também são frequentes os pedidos para tratar flacidez, rugas, perda de contorno facial, papada, bolsas palpebrais e aparência de cansaço.

Riscos e a importância de um planejamento individualizado

O principal cuidado, segundo os especialistas, é respeitar completamente a anatomia masculina. “Homens e mulheres têm estruturas ósseas, musculares e proporções diferentes. Se utilizarmos técnicas femininas em um homem, o resultado pode ficar artificial ou até feminilizado”, explica o dermatologista.

Além disso, os homens costumam apresentar pele mais espessa, musculatura mais desenvolvida e expectativas muito específicas. Por isso, é essencial um planejamento individualizado, assim como a escolha de um profissional com conhecimento profundo de anatomia e execução precisa para preservar as características masculinas.

O ponto de atenção, conclui Lima, é que o autocuidado não deve se transformar em cobrança permanente ou em tentativa de reproduzir filtros e padrões irreais.

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