A dúvida é comum no inverno: posso tomar a vacina da gripe se estou resfriado ou gripado? A resposta depende de um fator essencial: a presença de febre. A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Center for Disease Control (CDC) e a Fundação Fiocruz indicam que resfriados leves, sem febre, geralmente não impedem a imunização. Já quadros com febre ou sinais de infecção mais grave podem exigir o adiamento da dose até a melhora completa.
Febre é o principal sinal de alerta
A farmacêutica responsável da Rede Drogal, Eliane Messias, explica: “Se você está com um quadro febril, nossa indicação é sempre procurar um médico para avaliação. No geral, resfriados leves não são impeditivos para a vacinação.” Ou seja, nariz escorrendo, espirros e dor de garganta leve não contraindicam a vacina. Mas febre, dores no corpo e mal-estar intenso são motivos para esperar.
Por que adiar a vacinação em caso de febre?
O Ministério da Saúde recomenda evitar a vacinação contra influenza durante qualquer quadro febril, seja por gripe, Covid-19 ou outra doença. O objetivo é que os sintomas da doença não sejam confundidos com possíveis reações da vacina. Além disso, quando o organismo está combatendo uma infecção ativa, o sistema imunológico pode não responder de forma ideal à vacina, reduzindo sua eficácia. Após a febre cessar completamente por pelo menos 48 horas, a vacinação pode ser realizada, desde que não haja sinais de gravidade.
A vacina pode piorar os sintomas de quem está doente?
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, as vacinas são bem toleradas pela maioria das pessoas. Em idosos, os sintomas são semelhantes aos de adultos: dor local, inchaço e vermelhidão na pele nas primeiras 48 horas. Febre leve, mal-estar e desconforto muscular também podem ocorrer, mas desaparecem rapidamente. A vacina da gripe contém vírus inativados e não causa reações adversas abruptas. O que pode acontecer é uma coincidência: a pessoa tomar a vacina enquanto está no período de incubação de outra infecção e desenvolver sintomas dias depois, sem relação com a imunização. A vacina não piora os sintomas de resfriados leves; pelo contrário, começa a proteger contra influenza enquanto o organismo lida com o quadro brando. A confusão entre reação vacinal e agravamento da doença é justamente um motivo para adiar a aplicação em casos de febre.
Quando se vacinar após melhora
A vacina da gripe é contraindicada em doenças febris agudas que comprometam o estado geral. A decisão final deve ser tomada por um médico. Na prática, a orientação é aguardar a febre desaparecer por completo por, no mínimo, 48 horas antes de procurar um posto de vacinação. Sintomas residuais leves, como cansaço ou coriza fraca, geralmente não impedem a aplicação, mas é sempre bom confirmar com o profissional de saúde no momento do atendimento.
E a vitamina C? Ajuda antes ou depois da vacina?
A vitamina C tem funções importantes no sistema imunológico, mas não há comprovação científica robusta de que sua suplementação evite gripes ou resfriados. Estudos sugerem um efeito modesto: pessoas que ingerem de 1 a 2 gramas de vitamina C por dia podem ter os sintomas de resfriado por menos tempo, com recuperação cerca de 8% mais rápida em adultos e 14% em crianças. Portanto, a vitamina C não substitui a vacina, mas pode auxiliar na recuperação. Quem desejar incluí-la na rotina deve consultar um farmacêutico ou médico sobre a dosagem adequada, pois o excesso pode causar desconforto gastrointestinal e, em pessoas predispostas, aumentar o risco de cálculos renais.
Onde se vacinar
Quem já se recuperou da febre e deseja se proteger antes do pico do inverno pode verificar a disponibilidade da vacina contra a gripe nos pontos de vacinação da Drogal, com atendimento sem necessidade de agendamento em muitas unidades. A vacina leva cerca de duas semanas para gerar proteção. Julho, mês de maior circulação do vírus no Brasil, está se aproximando. Quem ainda não se imunizou e não está com febre agora tem um bom motivo para não adiar mais. Eliane Messias Rodrigues, farmacêutica responsável da Drogal (CRF/SP 43.895), reforça a importância de avaliar os sintomas antes da vacinação.



