Poeira do Saara na Europa fica mais intensa e ameaça saúde, diz estudo
Poeira do Saara na Europa fica mais intensa e ameaça saúde

Um estudo publicado na revista científica Nature nesta quarta-feira (15) revela que a poeira transportada por longas distâncias aumentou em grande parte da Europa na última década, com avanços mais fortes na Itália e nas regiões dos mares Adriático e Egeu. Embora esses episódios não tenham se tornado mais frequentes, eles ficaram mais intensos em áreas do sul do continente.

Origem e trajetória da poeira

A maior parte desse material vem dos desertos do Saara e do Oriente Médio. Os grãos mais leves são levantados pelo vento e percorrem milhares de quilômetros, como uma fumaça invisível que atravessa fronteiras antes de alcançar cidades e zonas rurais europeias.

Para acompanhar essa trajetória, os pesquisadores reuniram cerca de 18,5 mil medições diárias feitas em 103 locais e criaram um modelo capaz de estimar a concentração de poeira entre 2012 e 2021. Os resultados mostram que o sul da Europa registrou, em média, cerca de 46 episódios por ano.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impactos na saúde pública

Em 2021, apenas a poeira transportada respondeu por 31% do limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde para partículas inaláveis maiores, conhecidas como PM10. Durante os episódios, a exposição foi associada a um aumento estimado de 0,67% na mortalidade diária e de 0,73% nas internações por problemas respiratórios entre pessoas com mais de 15 anos.

“A poluição por poeira ameaçará cada vez mais a saúde pública e dificultará o cumprimento das metas de qualidade do ar”, disseram os autores no estudo.

Causas do agravamento

Os pesquisadores relacionam o agravamento dos episódios a alterações na circulação atmosférica, que favoreceram o transporte de poeira do norte da África para a Europa. Ao mesmo tempo, a redução da umidade do solo e o avanço da desertificação deixam mais material solto disponível para ser levado pelos ventos.

Registros preservados no gelo dos Alpes reforçam essa tendência de longo prazo. A quantidade de poeira depositada na região aumentou cerca de 110% desde o período anterior à industrialização.

Limitações do estudo

O estudo, contudo, não conclui que todos os países europeus foram afetados da mesma maneira. A cobertura de medições foi menor no nordeste do continente, nos Bálcãs e na Escandinávia, o que limita a precisão das estimativas nessas áreas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar