Por que maioria das perdas na gravidez ocorre nos primeiros meses?
Perdas na gravidez: por que ocorrem nos primeiros meses?

A notícia sobre Gabriel Medina e Isabella Arantes trouxe à tona um tema que ainda carrega tabus e desinformação: a perda gestacional. Estatísticas indicam que até 20% das gestações confirmadas terminam em aborto espontâneo, e a grande maioria desses casos se concentra nas primeiras 12 semanas. Especialistas explicam que, nesse período, o corpo feminino passa por uma triagem natural, e a principal causa das perdas são anomalias cromossômicas, não comportamentos da mulher.

O que acontece no primeiro trimestre?

Durante o primeiro trimestre, o embrião passa por um rápido desenvolvimento, e qualquer erro na divisão celular pode inviabilizar a gestação. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 80% dos abortos espontâneos ocorrem até a 12ª semana. Na maioria dos casos, o corpo interrompe a gravidez porque o feto não teria condições de se desenvolver de forma saudável.

O médico obstetra e especialista em reprodução humana, Dr. José Carlos Ferreira, explica: "A natureza faz uma seleção natural. A maioria das perdas no primeiro trimestre está associada a alterações genéticas que não são compatíveis com a vida. Não é culpa da mulher nem resultado de esforço físico ou estresse."

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Fatores de risco e causas mais comuns

Além das anomalias cromossômicas, outros fatores podem contribuir para as perdas precoces, como desequilíbrios hormonais, problemas na tireoide, diabetes descompensada, infecções e alterações anatômicas do útero. A idade materna também é um fator relevante: mulheres acima de 35 anos têm maior probabilidade de perda, devido à qualidade dos óvulos.

O caso de Medina e Isabella, que não teve detalhes divulgados, serve para lembrar que o problema é mais comum do que se imagina. Muitas mulheres passam por isso silenciosamente, e o apoio emocional é fundamental. A psicóloga perinatal Dra. Mariana Almeida ressalta: "É essencial que a mulher não se sinta culpada. O luto precisa ser acolhido, e o acompanhamento médico e psicológico é indispensável."

Diagnóstico e acompanhamento

Na maioria das vezes, a perda é identificada por meio de ultrassonografia ou por sintomas como sangramento e cólicas. Após o diagnóstico, o médico pode indicar acompanhamento com exames para investigar possíveis causas, caso a perda se repita. Para a maioria das mulheres, uma única perda não significa que haverá dificuldades futuras para engravidar.

O Dr. Ferreira acrescenta: "Cerca de 60% a 70% das mulheres que tiveram um aborto espontâneo conseguem ter uma gestação saudável na sequência. É importante dar tempo ao corpo e à mente antes de tentar novamente."

Prevenção e cuidados

Embora não seja possível prevenir a maioria das perdas precoces, algumas atitudes ajudam a manter uma gestação saudável: alimentação equilibrada, suplementação de ácido fólico antes da concepção, controle de doenças crônicas e evitar álcool e cigarro. O pré-natal precoce é fundamental para monitorar o desenvolvimento fetal.

Para quem está passando por essa situação, especialistas recomendam buscar apoio em grupos de acolhimento e conversar abertamente com o parceiro e a família. A informação é a melhor ferramenta para desmistificar o tema e reduzir o sofrimento.

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