Pausa em canetas para emagrecer faz pacientes repensarem bariátrica
Pausa em canetas de emagrecer leva a repensar bariátrica

A interrupção no fornecimento de medicamentos injetáveis para perda de peso, como Ozempic e Wegovy, está levando muitos pacientes a reconsiderarem a cirurgia bariátrica como opção de tratamento para a obesidade. Segundo especialistas, a pausa nas canetas tem gerado frustração e, em alguns casos, ganho de peso, reacendendo o debate sobre a eficácia de longo prazo desses fármacos.

Demanda reprimida e retorno ao consultório

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) indicam que o número de consultas para avaliação cirúrgica aumentou 30% nos primeiros seis meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. “Muitos pacientes que estavam usando as canetas e tiveram que parar por falta do medicamento estão voltando ao consultório para discutir a cirurgia”, afirma o cirurgião bariátrico Dr. Carlos Eduardo, membro da SBCBM.

Efeito sanfona e preocupações

O principal motivo para a reconsideração é o temor do efeito sanfona. Estudos mostram que até 80% dos pacientes que interrompem o uso de análogos do GLP-1 recuperam pelo menos metade do peso perdido em um ano. “A caneta é uma ferramenta poderosa, mas não é uma cura. Sem a mudança de hábitos e o acompanhamento contínuo, o peso volta”, explica a endocrinologista Dra. Renata Lopes.

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A cirurgia bariátrica, por outro lado, oferece resultados mais duradouros. De acordo com a SBCBM, a taxa de sucesso em manter a perda de peso após cinco anos é superior a 70% para os procedimentos mais comuns, como o bypass gástrico.

Escassez global e alternativas

A falta dos medicamentos é um problema global, impulsionada pela alta demanda e limitações na produção. No Brasil, a Anvisa já emitiu alertas sobre a escassez. Pacientes relatam dificuldades em encontrar as canetas em farmácias, e os preços dispararam no mercado paralelo.

Diante desse cenário, a procura por clínicas especializadas em cirurgia bariátrica cresceu. “Tivemos um aumento de 40% nos agendamentos de cirurgias para o segundo semestre”, revela Dr. Carlos Eduardo. “Pacientes que antes descartavam a cirurgia agora a veem como uma solução mais estável.”

Critérios e avaliação

No entanto, a cirurgia não é indicada para todos. Os critérios incluem índice de massa corporal (IMC) acima de 40, ou acima de 35 com comorbidades, e falha em tratamentos clínicos prévios. “A avaliação é multidisciplinar. Não é uma decisão simples”, ressalta a psicóloga Mariana Santos, que atende pacientes em pré-operatório.

Para aqueles que não se enquadram nos critérios, a alternativa tem sido a combinação de medicamentos disponíveis com terapia comportamental e acompanhamento nutricional intensivo. “Estamos orientando os pacientes a não desistirem, mas a buscarem estratégias combinadas”, diz a nutricionista Fernanda Oliveira.

A tendência, contudo, é que a procura pela bariátrica continue aquecida enquanto a oferta de canetas não se normalizar. Especialistas estimam que a regularização do abastecimento deve ocorrer apenas em 2027.

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