OMS: cortes afetam mais vulneráveis, alerta Tedros
OMS: cortes afetam mais vulneráveis, alerta Tedros

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou em entrevista exclusiva ao GLOBO que os cortes de orçamento na entidade afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis do planeta. A declaração foi feita em vídeo, durante sua recente visita ao Brasil, que também resultou em um novo 'Cartão do SUS'.

Impacto da saída dos EUA e outros cortes

Tedros destacou que a saída dos Estados Unidos da OMS, anunciada no governo Donald Trump, e outras reduções no financiamento representam um desafio significativo para a organização. Segundo ele, a perda de recursos compromete programas essenciais de saúde em países de baixa e média renda, onde a dependência do apoio internacional é maior.

O diretor ressaltou que, historicamente, os EUA foram um dos maiores contribuintes da OMS, e sua ausência cria um vazio difícil de preencher. Ele mencionou que a organização está buscando alternativas para manter suas operações, mas que a realidade é dura: menos dinheiro significa menos capacidade de resposta a emergências sanitárias, combate a doenças e fortalecimento de sistemas de saúde.

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Prioridade aos mais vulneráveis

Na entrevista, Tedros enfatizou que a missão da OMS é garantir que todos tenham acesso à saúde, independentemente de sua condição. "Os mais vulneráveis são os mais afetados por cortes de orçamento na OMS", disse ele, reforçando que a equidade é um princípio central da organização. Ele citou exemplos de como cortes já impactaram campanhas de vacinação e programas de combate à malária e tuberculose em regiões africanas.

O diretor também comentou sobre a necessidade de os países membros aumentarem suas contribuições voluntárias e repensarem o modelo de financiamento da OMS, tornando-o mais previsível e sustentável. Ele elogiou o Brasil, que tem mantido seu compromisso com a saúde pública, mesmo em tempos de crise econômica.

Visita ao Brasil e o Cartão do SUS

A visita de Tedros ao Brasil resultou em um novo 'Cartão do SUS', uma iniciativa que visa facilitar o acesso de turistas estrangeiros ao sistema público de saúde brasileiro. A ação foi vista como um passo importante para promover o turismo de saúde no país e fortalecer a cooperação internacional.

Durante sua estadia, Tedros se reuniu com autoridades brasileiras, incluindo o ministro da Saúde, e discutiu parcerias para o fortalecimento da atenção primária e da vigilância em saúde. Ele destacou que o Brasil é um exemplo em programas de imunização e no combate a doenças tropicais negligenciadas.

Um apelo à comunidade internacional

Tedros aproveitou a ocasião para fazer um apelo à comunidade internacional: que os países mantenham e ampliem seu apoio à OMS, não apenas por solidariedade, mas por interesse próprio, já que a saúde global é um bem comum. Ele lembrou que a pandemia de Covid-19 mostrou como uma crise sanitária em qualquer lugar pode afetar todos, e que a preparação é um investimento no futuro.

A entrevista ao GLOBO ocorre em um momento em que a OMS enfrenta um déficit orçamentário crescente, com cortes em várias frentes. A organização já anunciou medidas de contenção de gastos, incluindo redução de pessoal e reavaliação de prioridades. Ainda assim, Tedros se mostrou otimista, afirmando que, com o apoio dos países membros e a resiliência da equipe, a OMS conseguirá superar os desafios.

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