Novo teste detecta câncer bucal em 1 hora e evita 90% de biópsias
Novo teste detecta câncer bucal em 1 hora e evita biópsias

Teste rápido de câncer bucal pode evitar biópsias desnecessárias

Um novo teste molecular, chamado qMIDS-V3, desenvolvido por pesquisadores da Queen Mary University of London, promete revolucionar o diagnóstico do câncer bucal. O exame utiliza uma simples escovação da mucosa da boca e entrega o resultado em menos de uma hora, com alta precisão. Publicado na revista Nature Biomarker Research, o estudo que validou o teste analisou 1.090 amostras de 545 pacientes e mostrou que a tecnologia pode evitar mais de 90% das biópsias invasivas desnecessárias em pacientes com lesões de baixo risco.

Como funciona o qMIDS-V3

O teste é realizado por meio de uma escova citológica estéril, que coleta células da superfície da lesão suspeita na boca. Uma segunda amostra da mucosa saudável do lado oposto é obtida para comparação. Em laboratório, o material passa por uma análise de RT-qPCR, medindo a expressão de quatro genes (INHBA, S100A16, YAP1 e POLR2A). Um algoritmo calcula um índice de malignidade, estimando o risco de câncer. O resultado fica pronto em cerca de 60 minutos, enquanto a histopatologia tradicional leva de 5 a 21 dias. O teste utiliza os mesmos equipamentos de PCR usados para COVID-19.

Alta precisão e baixo custo

O estudo prospectivo incluiu 443 pacientes com carcinoma espinocelular oral, 63 com leucoplasia oral e 39 com líquen plano oral. O teste apresentou AUC de 0,975, sensibilidade de 95,7%, especificidade de 95,1% e acurácia global de 95,5%. As taxas de erro foram baixas: falso-positivo de 4,9% e falso-negativo de 4,3%. O custo por amostra é inferior a dez dólares americanos, e o material permanece estável em temperatura ambiente, eliminando a necessidade de cadeia de frio.

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Potencial para evitar biópsias desnecessárias

Segundo os pesquisadores, o qMIDS-V3 pode evitar que mais de 90% dos pacientes com lesões potencialmente malignas de baixo risco sejam submetidos a biópsias invasivas. Muy-Teck Teh, autor do estudo, informou ao g1: “Atualmente, não existe uma ferramenta objetiva validada que auxilie a distinguir quais pacientes necessitam de biópsia urgente daqueles que podem ser acompanhados com segurança sob vigilância. O qMIDS-V3 supre essa lacuna.” No Reino Unido, cerca de 6.000 pessoas são diagnosticadas com câncer bucal por ano, mas mais de 150.000 são encaminhadas para investigação. O teste poderia evitar entre 16 mil e 120 mil biópsias desnecessárias anualmente, economizando milhões de libras para o NHS.

Limitações e próximos passos

O estudo foi conduzido com pacientes de uma única região da Índia, o que pode limitar a generalização. Os pesquisadores buscam um parceiro comercial para desenvolver a tecnologia para uso assistencial e estimam que o exame possa chegar à prática clínica em cerca de dois anos. A biópsia tradicional por bisturi permanece indispensável para casos de crescimento oculto, lesões necróticas, estadiamento tumoral e diagnóstico de condições que exigem arquitetura tecidual.

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