Menos de 4% do financiamento climático global é direcionado para infraestrutura resiliente, de acordo com um relatório da CDP (Carbon Disclosure Project) divulgado nesta quarta-feira. O estudo analisou US$ 1,5 trilhão em investimentos climáticos entre 2015 e 2025 e constatou que apenas US$ 57 bilhões (3,8%) foram para projetos de adaptação e resiliência.
A lacuna no financiamento climático
O relatório mostra que a maior parte dos recursos, 96,2%, foi para mitigação das mudanças climáticas, como energias renováveis e eficiência energética. "Precisamos urgentemente reequilibrar o portfólio de investimentos climáticos", afirmou Maria Netto, diretora-executiva da CDP América Latina, em comunicado. "Sem infraestrutura resiliente, os países em desenvolvimento serão os mais afetados por eventos extremos."
Impacto nos países em desenvolvimento
Dos US$ 57 bilhões destinados à resiliência, apenas 12% foram para nações de baixa renda, que são as mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. "O financiamento para adaptação é insuficiente e mal distribuído", disse Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP. "Precisamos de um aumento substancial e de mecanismos mais eficientes de alocação."
Setores mais afetados
Os setores de agricultura, água e infraestrutura urbana receberam menos de 1% do total de financiamento climático. "Isso é alarmante, pois esses setores são críticos para a adaptação", destacou o relatório. A CDP recomenda que governos e instituições financeiras criem metas específicas para investimentos em resiliência.
Recomendações da CDP
O relatório sugere a criação de um padrão global de reporte para investimentos em adaptação, além de incentivos fiscais para projetos de infraestrutura resiliente. "Sem transparência e compromisso, continuaremos a subfinanciar a adaptação", alertou Netto.



