Uma menina de Sorocaba (SP) portadora de cardiopatia congênita grave morreu no dia 10 de junho após sofrer três paradas cardíacas. Mirella Marcolino, de um ano e nove meses, nasceu com comunicação interventricular (CIV), uma malformação no coração que cria uma abertura entre os ventrículos, prejudicando a circulação sanguínea. A mobilização em torno de sua história levou mais de 300 pessoas a doarem sangue após uma campanha nas redes sociais organizada pela família.
Condições de saúde e cirurgias adiadas
De acordo com a mãe, Ana Laura Marcolino, Mirella também apresentava outras malformações congênitas, como ânus imperfurado e fissura labiopalatina (lábio leporino). “A Mirella precisava fazer ao menos dez cirurgias da fissura na boca, reconstrução de ânus (porque usava bolsa de colostomia) e operar o ouvido por causa da perda auditiva moderada. Embora fosse muito feliz e não apresentasse dor ou fraqueza, ainda tinha uma batalha gigante pela frente, para a vida inteira”, relembra.
A criança recebia acompanhamento no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo. Antes das demais cirurgias, era necessária uma operação cardíaca urgente para fechar a abertura no coração. No entanto, a intervenção foi adiada quatro vezes por problemas de saúde e pela falta de sangue disponível. “Em uma das ocasiões, o cirurgião aguardou na esperança de que o laboratório encontrasse bolsas em São Paulo. No entanto, o prazo chegou e, após mais de 12 horas de jejum, o procedimento precisou ser suspenso”, relembra a mãe.
Campanha de doação de sangue
Para viabilizar a cirurgia, a família iniciou uma campanha de doação de sangue nas redes sociais. Em apenas 12 horas, mais de 120 mil pessoas compartilharam o pedido, resultando em mais de 300 doações de bolsas de sangue. “O que aconteceu foi algo que jamais esquecerei. Pessoas de diversas cidades, além de organizações e grupos voluntários, se mobilizaram e foram até São Paulo doar sangue para que ela pudesse realizar a cirurgia cardíaca”, diz Ana Laura.
Apesar do sucesso da campanha, Mirella já enfrentava problemas clínicos que impediam a realização das cirurgias. Enquanto aguardava a liberação e o deslocamento por helicóptero Águia para ser operada, ela sofreu três paradas cardíacas e morreu.
Gratidão e legado
Mesmo com os adiamentos, a mãe afirma que o hospital fez tudo que estava ao alcance para salvá-la. “Somos gratos pelo cuidado, pela dedicação e pelo esforço de cada profissional que esteve ao lado da nossa filha”, diz. “Agora, mais do que procurar culpados ou questionar decisões, queremos honrar a história da Mirella: uma menina que lutou pela vida com uma força impressionante, espalhou amor por onde passou e deixou um legado que jamais será esquecido. Eu acredito que Deus a impediu de fazer essas cirurgias para que ela vivesse um pouco mais ao nosso lado”, finaliza.
Doação de sangue: um ato de amor
As doações de sangue seguem sendo fundamentais para salvar a vida de outros pacientes. Em Sorocaba (SP), as doações podem ser feitas na Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan). Para doar sangue, é necessário: estar em boas condições de saúde; pesar ao menos 50 quilos; estar alimentado; apresentar documento original com foto. Pessoas entre 16 e 69 anos podem doar, desde que a primeira doação tenha sido realizada antes dos 60 anos. Impedimentos temporários incluem sintomas de gripe ou resfriado, gravidez, amamentação, ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação e procedimentos médicos recentes. Impedimentos definitivos incluem doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue (hepatites B e C, HIV e doença de Chagas) e uso de drogas ilícitas injetáveis. A Colsan funciona de segunda-feira a sábado, das 7h às 12h30, exceto em feriados, na Avenida Comendador Pereira Inácio, 564.



