Mãe teme retrocesso após esvaziamento de centro para autistas em Roraima
Mãe teme retrocesso após esvaziamento de centro para autistas

A Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR) esvaziou nesta segunda-feira (7) a sede do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), gerando incertezas entre as famílias atendidas. A mãe Francinalda Conceição da Costa, que tem três filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), teme um retrocesso no desenvolvimento deles diante da mudança de profissionais e na gestão do programa.

Esvaziamento e exonerações

Uma comitiva liderada pelo presidente da Ale-RR, Jorge Everton (União Brasil), foi ao local e determinou o esvaziamento. A medida ocorreu dias após a exoneração dos servidores comissionados. Os funcionários deixaram o prédio e retiraram materiais usados nos atendimentos. Até então, uma das responsáveis pelo programa era a deputada Ângela Águida Portella (PP), que se disse surpresa com a mudança.

Família atendida desde 2021

Francinalda é mãe de Carlos Eduardo, 18 anos, Luiz Expedito, 10, e Benjamin Costa, 5. Os três eram atendidos pelo Teamarr com sessões às segundas-feiras à tarde. O filho mais velho participa desde 2021, quando o projeto ainda se chamava 'Sala Azul' e funcionava em estrutura diferente. Segundo a mãe, o atendimento especializado com psicólogos e pedagogos tornou-se parte da rotina e contribuiu para o desenvolvimento dos meninos. 'Tenho muito medo de perder tudo o que aprenderam', disse. 'Todos os dias eu levanto um tijolinho com cada um deles. Tenho medo de que tudo isso caia'.

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Críticas à superintendente

Francinalda participou de manifestação em frente à Assembleia e de reunião com a superintendente de Programas Especiais, Marília Pinto. Ela criticou uma declaração da gestora que tratou o autismo como um 'problema', classificando a fala como capacitista. 'Ela foi muito capacitista, foi muito infeliz na fala dela. Uma pessoa que não conhece sobre o autismo, que não conhece nada sobre nossos filhos, não pode querer dizer isso', destacou. Capacitismo é o preconceito contra pessoas com deficiência, como o TEA, baseado na ideia de que são inferiores ou um 'problema'. A Ale-RR informou que 'não houve qualquer intenção de utilizar linguagem que possa ser interpretada como preconceituosa, discriminatória ou capacitista' e que 'o respeito às pessoas com TEA e suas famílias é um princípio que orienta todas as ações do TEAMARR'. Caso a fala tenha gerado desconforto, a instituição lamentou.

Preocupação com novos profissionais

Francinalda também questiona a continuidade do atendimento se novos profissionais assumirem. A equipe atual tinha capacitação específica para autismo. 'Minha preocupação não é nem não ter profissional, mas eles colocarem profissionais que não têm a competência técnica para atender pessoas com autismo', resumiu. Ela teme represálias por participar das manifestações. 'Hoje eu tenho medo de cobrar o direito dos meus filhos', disse.

Impacto do programa

Ao menos 750 famílias são atendidas gratuitamente pelo Teamarr, beneficiando mais de mil crianças e adolescentes. Criado em 2022, o programa oferece terapias e acompanhamento contínuo para pessoas com TEA em Roraima, incluindo a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), método para desenvolvimento de habilidades sociais, comunicação e autonomia. A Ale-RR fala em 'reorganização administrativa para aprimorar a estrutura' e prevê retomada dos atendimentos em 27 de abril.

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