Mãe baiana cria absorvente dérmico para gastrostomizados inspirada no filho
Mãe cria absorvente dérmico para gastrostomizados

Nilza Carla Leal, mãe de João Pedro, de 20 anos, criou o absorvente dérmico JO+ para proteger a pele de pacientes gastrostomizados. O dispositivo, que custa R$ 4,90 por unidade, já foi testado em quatro pessoas. A inspiração veio da necessidade de cuidar do filho, que nasceu com paralisia cerebral e precisou de gastrostomia ainda bebê. A sonda no estômago causava ferimentos constantes, levando a internações frequentes. A acusação de maus-tratos impulsionou a busca por capacitação e solução.

Da administração à saúde: a mudança de vida

Antes do nascimento de João Pedro, Nilza estudava administração. Em 2009, iniciou o curso técnico de enfermagem, interrompido um ano depois por falta de apoio para cuidar do filho. Ela concluiu e, em seguida, formou-se em Biologia em 2015, sem participar da formatura porque João Pedro estava internado. Durante as formações, estudava nos intervalos e enquanto acompanhava o filho no hospital, sempre com livros e apostilas. Hoje, é pesquisadora, técnica de enfermagem, bióloga e cursa mestrado.

O diagnóstico e o amor incondicional

João Pedro nasceu em um parto demorado que causou paralisia cerebral. "No mesmo dia, a médica levou ele para a UTI neonatal. Só depois de cinco meses veio o diagnóstico", contou Nilza. Apesar das dificuldades, ela afirma: "Eu só queria ter um filho para ter uma família. Foi tudo tranquilo". A gastrostomia foi necessária para alimentação e medicação, mas o local da incisão exigia cuidados redobrados devido a vazamentos e atrito da sonda.

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O JO+: como funciona

O absorvente dérmico substitui gazes e adesivos. "O objetivo é cobrir a pele, evitar o atrito e absorver o suco gástrico antes que toque a pele. Ele muda de cor conforme absorve, indicando a hora da troca", explicou Nilza. O desenvolvimento começou em 2016, com protótipos e testes, além da patente. O nome JO+ homenageia João Pedro e outros pacientes. O material principal é poliuretano, importado da China por um amigo brasileiro.

Desafios e futuro

A produção de cada unidade custa R$ 4,90. Pacientes podem usar até seis por dia. Nilza busca financiamento para produção em escala e comercialização. "Os editais exigem faturamento anual de R$ 100 mil, mas ainda não vendemos. Isso nos desclassifica. Preciso pagar patente e CNPJ, e não tenho recurso", desabafou. O sonho é construir uma fábrica para produzir a própria matéria-prima, barateando o custo.

Impacto e reconhecimento

O JO+ já beneficiou João Pedro e outras três pessoas. A invenção destaca a resiliência de uma mãe que transformou adversidade em inovação. A história de Nilza Carla Leal inspira não apenas pela superação, mas por trazer qualidade de vida a pacientes e cuidadores. O próximo passo é viabilizar a distribuição em escala, ajudando milhares de gastrostomizados no Brasil.

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