Licença-paternidade reduz risco de ansiedade e depressão em pais, apontam estudos
Licença-paternidade reduz risco de ansiedade e depressão

Dois estudos publicados na revista científica American Journal of Public Health revelam que a licença-paternidade tem impacto decisivo na saúde mental dos homens. O primeiro, conduzido por pesquisadores da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie, em Chicago, mostra que pais que não conseguem tirar licença remunerada após o nascimento dos filhos apresentam maior risco de desenvolver ansiedade e depressão. O segundo, do Instituto Karolinska, na Suécia, indica que uma licença equilibrada — entre 14 e 40 semanas — favorece o bem-estar psicológico.

Dados da pesquisa americana

Os pesquisadores analisaram dados da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio de 2022-2023, uma das fontes mais abrangentes sobre as experiências dos pais no período perinatal nos Estados Unidos. Foram examinados 4.290 pais de primeira viagem, dos quais 6,6% apresentavam depressão e 11% apresentavam ansiedade, segundo instrumentos validados de triagem.

Entre os entrevistados, 15% não tiraram nenhum tipo de licença; 54% tiveram licença remunerada; 22%, licença não remunerada; e 9%, uma combinação de licença remunerada e não remunerada. A licença não remunerada está associada ao aumento da ansiedade: aqueles que recorreram a esse tipo de afastamento tinham 58% mais probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade em comparação com os que tiveram licença remunerada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Pressão financeira como barreira

Entre os pais com sintomas de saúde mental deteriorada, 75% apontaram motivos financeiros para não solicitar a licença parental. Desse grupo, 75% apresentavam sintomas depressivos e 71% sintomas de ansiedade. "Nossos resultados demonstram que a licença remunerada pode ajudar os novos pais na transição para a paternidade, oferecendo tempo e recursos para começar bem", afirmou Craig Garfield, autor principal do estudo e pediatra do Hospital Lurie.

Estudo anterior de Garfield, publicado em 2025, revelou que 64% dos homens tiram menos de duas semanas de licença após o nascimento do filho, enquanto 36% tiram mais de duas semanas. "Ampliar programas de licença parental remunerada, reduzir barreiras econômicas e normalizar o uso desse direito pelos pais poderia ter impacto mensurável na saúde da população", acrescentou Garfield.

Estudo sueco aponta tempo ideal

No estudo do Instituto Karolinska, especialistas acompanharam 746 pais suecos por 18 meses, a partir de quando seus filhos tinham cerca de 9 meses de idade. Os participantes responderam a perguntas sobre sintomas depressivos no início do estudo e novamente quando as crianças tinham cerca de 27 meses. Os pesquisadores levaram em conta sintomas depressivos iniciais e ajustaram para fatores familiares e socioeconômicos, além da duração da licença da mãe.

Os dados indicaram que pais que tiram vários meses de licença-paternidade têm menor risco de desenvolver sintomas depressivos nos primeiros anos de vida dos filhos. Pais que tiraram entre 14 e 40 semanas de licença apresentaram probabilidade significativamente menor de desenvolver depressão do que aqueles que tiraram até quatro semanas. Homens que tiraram entre 5 e 13 semanas não mostraram o mesmo padrão, assim como aqueles que se afastaram por mais de 40 semanas, em comparação com o grupo de até quatro semanas.

"Nossos resultados sugerem que pais que tiram uma licença parental superior a 90 dias, mas que não ultrapassa 60% do total do tempo de licença disponível, podem ter melhor saúde mental", concluiu Michael Wells, professor do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança do Instituto Karolinska.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar