O cantor Leonardo autografou um violão que será leiloado para arrecadar fundos para o tratamento dos irmãos Pedro Rodrigues, de 12 anos, e Tiago Rodrigues, de 7, moradores de Rio Branco, diagnosticados com Distrofia Muscular de Cinturas tipo 2C (LGMD2C), uma doença genética ultrarrara e degenerativa. O gesto ocorreu no domingo (2), quando Leonardo abriu a programação de shows nacionais da Expoacre 2026, no Parque de Exposições Wildy Viana. O instrumento assinado será leiloado em 9 de agosto, e a renda será destinada à participação dos meninos em um estudo experimental nos Estados Unidos, que custa cerca de R$ 5,2 milhões.
Campanha ganha reforço de celebridades e da família
Nas redes sociais, Leonardo publicou um vídeo pedindo que fãs e outros artistas se unam à mobilização. "Se cada pessoa fizer um pouquinho, nós podemos mudar essa história", afirmou. A mãe dos meninos, a advogada Fabíula Albuquerque Fleming, confirmou ao g1 que o valor arrecadado com o leilão será usado para custear o tratamento nos EUA. Além de Leonardo, artistas como João Bosco e a pastora Nívea Soares gravaram vídeos de apoio, assim como o jogador de futevôlei Bello, o goleiro Weverton, a cientista Letícia Cazarré e os pastores André Valadão e Marcela Voje.
Fabíula destacou que a fundação americana responsável pelo estudo clínico repostou um vídeo seu com legenda em inglês no perfil oficial no Instagram, ampliando a visibilidade da causa. A família também organiza caminhadas, rifas e campanhas online para alcançar a meta de R$ 5,2 milhões, necessária para viabilizar a participação dos irmãos na fase dois do ensaio clínico. Até a manhã desta segunda-feira (2), a campanha havia arrecadado mais de R$ 160 mil.
Doença rara compromete músculos e limita rotina
Pedro e Tiago convivem com a LGMD2C, que afeta principalmente os músculos dos ombros, braços, quadris e pernas, causando perda progressiva de força. Pedro, o mais velho, já não consegue correr, levantar do chão sem apoio ou subir em carros altos. Tiago, de 7 anos, ainda corre e brinca, mas já apresenta sinais de fraqueza muscular, como dificuldade para se levantar sem usar as mãos como apoio. A neurologista pediátrica Bruna Beiruth explica que a doença é hereditária e se manifesta quando a criança recebe a alteração genética de ambos os pais.
Em casa, as brincadeiras tiveram que ser adaptadas: jogos eletrônicos e atividades tranquilas substituíram parte dos exercícios físicos. Na escola, Pedro sai alguns minutos antes para o recreio para evitar acidentes, e Tiago tem acompanhamento de uma professora. A família mantém consultas periódicas com especialistas em São Paulo, além de fisioterapia três vezes por semana em Rio Branco.
Esperança após resultados positivos em estudo
Durante oito anos, a família ouviu que não havia tratamento. A esperança surgiu no ano passado, quando o neurologista que acompanha os meninos soube do estudo para LGMD2C. Em março, os primeiros resultados mostraram melhora significativa em quatro crianças, com redução da inflamação muscular e ganho de força. Após envio de relatórios médicos, Pedro e Tiago foram selecionados para a fase dois, mas Pedro precisa receber a terapia antes de completar 13 anos. "Conseguimos aquilo que parecia impossível. Pela primeira vez em muitos anos, não estávamos mais lutando apenas para retardar a doença", comemorou Fabíula.
O custo total para os dois é de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões), sem incluir despesas com viagem e estadia. A família segue mobilizada para arrecadar o valor e garantir a participação dos irmãos no estudo que pode mudar suas histórias.



