A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, na manhã desta terça-feira (16), o uso da polilaminina na jovem Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos. Ela perdeu os movimentos das pernas após ser atingida por um galho que se soltou de uma árvore na Praça Osório, em Curitiba. A previsão é que a substância chegue ao Paraná e seja aplicada ainda no fim da tarde de hoje.
Detalhes do acidente
Ana sofreu uma fratura entre as vértebras T5 e T6 e uma perfuração no pulmão, que exigiu drenagem. A família aguardava a liberação da polilaminina desde sábado (13), dia do acidente, mas dependia da análise burocrática para saber se o caso se enquadrava nos critérios para receber a substância experimental.
O que é a polilaminina
A polilaminina é uma proteína sintética desenvolvida no Brasil, ainda em fase de estudos, com potencial para estimular a regeneração de nervos e tecidos lesionados na medula espinhal. A notícia da liberação foi comunicada pelos pais da jovem em entrevista ao vivo à RPC.
O pai de Ana, emocionado, declarou: "A Ana vai ter mais uma chance na vida dela. [...] Vamos continuar orando pela Ana, porque agora é um milagre de Deus para ela voltar a andar, se reabilitar e voltar a ter a vida dela. Estou com o coração saindo pela boca".
Chances de recuperação
Mitter Mayer, coordenador do laboratório Cristália, que produz a substância em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliou que o caso de Ana tem alguma chance de recuperação. "A Ana Beatriz vai ser avaliada pela nossa equipe, mas pela informação que a gente teve é que ela teve uma lesão completa na medula. Quem tem uma lesão completa na medula, segundo a medicina e os históricos da ciência, tem a possibilidade de, no máximo, 9% de chance de voltar a ter algum movimento ou alguma sensibilidade. Quando você tem uma doença considerada incurável, uma doença que não tem perspectiva de tratamento, o médico entende que o paciente teria mais benefícios do que riscos nesses tratamentos [com a aplicação da polilaminina], e a gente solicita nesses casos excepcionais. São exclusivamente para doenças raras, doenças intratáveis", disse Mayer.
Processo para uso da polilaminina
A utilização da substância depende da análise individual de cada caso e da aprovação da Anvisa. O paciente precisa cumprir uma série de critérios clínicos. Conforme a Anvisa, o pedido de uso compassivo não é feito diretamente à agência, mas sim ao laboratório patrocinador, neste caso o Cristália. Se o laboratório concordar em doar o medicamento experimental, submete um processo para aprovação final da Anvisa. O processo exige que não existam outras opções terapêuticas, avaliação e parecer dos médicos responsáveis, histórico clínico e outras informações referentes a cada caso.
Visita à família
Ana mora em Valinhos (SP) e estava visitando a família em Curitiba. No sábado, acompanhava a mãe, a irmã e o sobrinho na feirinha de inverno da Praça Osório. Andressa Tozato Gonçalves, irmã da jovem, conta que, enquanto a família estava em uma barraca, o galho caiu, derrubando Ana. "Quando eu vi, ela estava no chão, caída, o tronco estava em cima do pescoço dela e tinha um pedaço do tronco em cima do carrinho do meu filho", detalha, acrescentando que não chovia nem ventava no momento. A Guarda Municipal fez o primeiro atendimento, imobilizou a vítima e acionou o Siate. Ana foi levada de ambulância ao Hospital do Trabalhador. "[Do momento da queda em diante], ela não sentia mais as pernas. Ela reclamava de muita dor nas costas. A gente tentava ver se as pernas dela estavam funcionando, mas ela não estava sentindo", relembra a mãe, Vanessa Stubinski.
Posição da prefeitura
A Prefeitura de Curitiba lamentou o ocorrido e informou que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente mantém um programa permanente de monitoramento e manejo da arborização urbana. "São realizadas inspeções técnicas periódicas, avaliações fitossanitárias e ações preventivas de manejo. A última revisão geral das condições arbóreas da Praça Osório foi realizada em abril deste ano, dentro dos protocolos regulares adotados pelo município. As equipes técnicas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente já realizaram uma inspeção no local e seguem apurando as circunstâncias da ocorrência, com a avaliação de todos os fatores envolvidos. Após a vistoria realizada na praça, não foi identificada a necessidade de novas intervenções emergenciais na área", diz a nota.



