IPCA-15 abaixo do esperado reforça expectativa de corte na Selic em agosto
IPCA-15 surpreende para baixo e sinaliza corte de juros

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,06% em julho, bem abaixo da expectativa do mercado de 0,22%, indicando uma desaceleração gradual da inflação. No acumulado em 12 meses, o indicador chegou a 4,52%, próximo ao teto da meta de 4,5%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 28 de julho, pelo IBGE.

Desaceleração disseminada

Segundo economistas, o resultado foi positivo por mostrar uma desaceleração ampla. "A abertura dos dados mostrou uma desaceleração disseminada, e não um choque isolado, com leituras mais brandas em quase todos os principais grupos", avaliou a equipe de macroeconomia da XP. A média dos núcleos de inflação cedeu para 0,23%, ante estimativa de 0,26%. "A composição do indicador foi extremamente positiva, trazendo sinais consistentes de arrefecimento da dinâmica inflacionária", afirmou Guilherme Souza, economista da Ativa Investimentos.

Alívios e pressões

O principal fator de alívio veio do grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou deflação de 0,66%, uma reversão significativa ante a alta de 0,74% do mês anterior. A queda foi puxada pelos preços de alimentos em domicílio, que recuaram 1,14%, impactados pelo tomate e batata. Por outro lado, o grupo Habitação subiu 0,97%, enquanto Transportes avançou 0,11%, com destaque para as passagens aéreas, que tiveram variação de +11,70%.

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Efeito do petróleo adiado

A breve trégua nos ataques no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo recuar, não influenciou o índice, segundo Gabriel Foglieni, gerente de Investimentos da Eleva Invest. "O IBGE coletou os preços até 15 de julho, e tanto o pico quanto a queda do petróleo aconteceram depois disso", explicou. Ele destacou que os combustíveis recuaram 0,90% no mês devido à safra do etanol no Centro-Sul. "Como a gasolina carrega 30% de etanol anidro, o etanol mais barato puxa a gasolina para baixo. O efeito do petróleo só deve aparecer no IPCA-15 de agosto, quando também entra em vigor o aumento da mistura para 32%, que atua na direção contrária", avaliou.

Projeções de inflação e Selic

Com o resultado benigno, instituições financeiras consideram revisar para baixo suas projeções de inflação para o fim do ano. A XP mantém a estimativa de 5,2% para o IPCA de 2026, mas aponta viés de baixa. Luciana Rabelo, economista do Itaú, afirmou que o dado de julho adiciona um viés de baixa à projeção do banco, atualmente em 5,4% para este ano.

Em relação à política monetária, a leitura mais branda consolida a expectativa de um novo alívio na taxa básica de juros. XP, Ativa Investimentos e InvestSmart XP projetam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom em agosto. No entanto, Sara Paixão, analista da InvestSmart XP, lembrou que a expectativa do mercado para a Selic no final de 2026 é de 14%, conforme o relatório Focus desta semana.

Cautela persiste

Apesar da perspectiva de alívio, há vozes de cautela. André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, ponderou que a surpresa positiva, embora grande, "dificilmente será suficiente, sozinha, para justificar uma flexibilização monetária", reforçando a possibilidade de manutenção da Selic. Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a decisão entre um novo corte e uma pausa ainda está em aberto.

Os analistas alertam ainda para os impactos das novas tarifas dos Estados Unidos sobre as projeções de 2026, com possíveis reflexos no câmbio e nas cadeias de suprimentos. Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, advertiu que "um dado favorável isolado não é suficiente para blindar o país de um eventual choque externo de preços", e que a proteção depende da credibilidade da política monetária e do ancoramento das expectativas de inflação.

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