A GSK/ViiV Healthcare solicitou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a inclusão do cabotegravir, um medicamento injetável de ação prolongada para prevenção do HIV, no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão final cabe ao Ministério da Saúde, que analisa a proposta com base em critérios de eficácia, custo-efetividade e impacto orçamentário.
Como funciona o cabotegravir?
O cabotegravir é um antirretroviral da classe dos inibidores da integrase, aplicado por via intramuscular a cada dois meses. Ele bloqueia a replicação do vírus HIV, impedindo que a infecção se estabeleça no organismo. Diferentemente da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral, que requer uma pílula diária, o injetável oferece uma alternativa de longa duração, com potencial para melhorar a adesão ao tratamento preventivo.
Estudos clínicos demonstraram que o cabotegravir apresenta eficácia de quase 100% na prevenção da infecção pelo HIV, superando a PrEP oral em populações com baixa adesão ao comprimido diário. Segundo dados divulgados pela GSK, a eficácia foi de 99,9% nos ensaios de fase III, com redução significativa do risco de contaminação.
Aprovação e disponibilidade atual
O medicamento já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e está disponível no mercado privado brasileiro, com preço estimado em cerca de R$ 1.200 por dose. Caso seja incorporado ao SUS, o custo será negociado com o laboratório, e a distribuição será gratuita para a população elegível.
De acordo com o Ministério da Saúde, a avaliação da Conitec inclui a análise de evidências científicas, consulta pública e parecer de especialistas. A previsão é que a decisão seja anunciada até o final de 2025.
Impacto na saúde pública
Especialistas apontam que a disponibilização do cabotegravir no SUS pode revolucionar a prevenção ao HIV no Brasil, especialmente entre grupos vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas trans. “A cada dois meses, o paciente recebe a injeção, eliminando a necessidade de lembrar de tomar um comprimido diariamente”, explica o infectologista Ricardo Vasconcelos, da Universidade de São Paulo.
Atualmente, o Brasil conta com a PrEP oral distribuída gratuitamente em unidades de saúde, mas a adesão ainda é um desafio. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 40% dos usuários de PrEP oral abandonam o tratamento no primeiro ano. O cabotegravir, por sua aplicação espaçada, pode reduzir essa taxa de abandono.
A medida também pode contribuir para a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir em 90% as novas infecções por HIV até 2030. Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 40 mil novos casos, segundo o boletim epidemiológico.
Próximos passos
A solicitação da GSK/ViiV à Conitec inclui um dossiê completo com estudos de eficácia, segurança e análise econômica. Caso aprovada, a incorporação ao SUS segue para publicação de portaria ministerial. O laboratório já sinalizou disposição para negociar preços, visando garantir o acesso equitativo.
A decisão final caberá à ministra da Saúde, Nísia Trindade, que deverá se pronunciar após o parecer técnico da Conitec. A expectativa é que, se aprovado, o cabotegravir esteja disponível nas unidades de saúde do SUS a partir de 2026.



