Parkinson não impede: idosa de 64 anos realiza sonho de conhecer o mar
Idosa com Parkinson realiza sonho de conhecer o mar

Uma viagem para realizar sonhos

Aos 64 anos, Arilda Gonzaga de Assis, diagnosticada com doença de Parkinson e com mobilidade reduzida, realizou dois sonhos que pareciam distantes: andar de avião e entrar no mar pela primeira vez. A experiência aconteceu em Porto Seguro, no litoral da Bahia, e foi possível graças ao apoio das filhas, da irmã, dos sobrinhos e de uma cadeira anfíbia oferecida pelo Corpo de Bombeiros. O momento foi registrado em vídeo e emocionou toda a família.

Arilda convive com os desafios impostos pela doença, que reduz sua mobilidade e exige cuidados especiais no dia a dia. Mesmo assim, ela não deixou de sonhar — e foi exatamente esse desejo que mobilizou a família.

Planejamento para enfrentar os desafios

A viagem exigiu planejamento e muita conversa. Para evitar que a ansiedade tomasse conta de Arilda, a família decidiu contar sobre o passeio apenas algumas semanas antes da partida. Mesmo assim, a idosa pensou em desistir, com medo das limitações físicas e da novidade de voar. "Foi preciso uma grande corrente de amor para encorajá-la. Conversamos muito com ela e explicamos o quanto seria maravilhoso. A decisão também nasceu da consciência de que o tempo não espera", revelou a irmã Sara Gonzaga.

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Para as filhas, a viagem representou a oportunidade de retribuir o cuidado recebido ao longo de uma vida. Andrielly Gonzaga, filha de Arilda, contou que o momento foi marcante. "Ver minha mãe conhecendo o mar pela primeira vez foi um daqueles momentos que vou guardar para sempre no coração. Poder viver tudo isso ao lado da minha mãe, da minha irmã e dos meus sobrinhos transformou essa viagem em uma lembrança inesquecível", afirmou.

Cadeira anfíbia: acessibilidade na prática

Na praia, a cadeira anfíbia foi a chave para o sonho se tornar realidade. O equipamento, adaptado com pneus grandes e cheios de ar comprimido, atua como uma boia e permite que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida entrem no mar com segurança e conforto. Os bombeiros de Porto Seguro foram responsáveis por conduzir Arilda até a água.

O equipamento é especialmente desenvolvido para suportar o peso do usuário na areia e flutuar na água, permitindo um banho de mar sem riscos. O uso da cadeira é uma prática comum em praias com programas de acessibilidade, mas ainda é pouco conhecida por muitas famílias. No caso de Arilda, a disponibilidade do equipamento no momento certo foi decisiva para que a experiência acontecesse.

Sara Gonzaga destacou o papel da acessibilidade no momento emocionante. "Ver aquele momento acontecer nos mostrou como a acessibilidade tem o poder de transformar vidas. Acessibilidade é sobre estrutura, sim, mas é, acima de tudo, sobre permitir que o amor e a vida aconteçam", disse.

A superação na voz de Arilda

Emocionada, Arilda fez questão de compartilhar a sensação de superação. "Eu tinha muito medo, mas agora, com Deus no meu caminho, foi tudo bem. A gente tem que enfrentar o medo. Foi a coisa mais linda do mundo. Entrei naquele mundo de água pela primeira vez e fiquei muito feliz. Não perca a oportunidade. Se tiver a chance, vá conhecer o mar", declarou a idosa.

De volta para casa, novos planos

De volta a Campo Grande, a reação de Arilda mostrou que a aventura valeu a pena. Segundo Andrielly, assim que chegaram em casa, a mãe já avisou que está pronta para o próximo destino. A experiência não só realizou um sonho antigo, mas também trouxe mais confiança e vontade de viver para a idosa, provando que a inclusão e o apoio da família podem superar barreiras.

O vídeo da chegada de Arilda ao mar, com a cadeira anfíbia, mostra a emoção estampada no rosto dela e dos familiares. As imagens foram compartilhadas e se tornaram uma memória afetiva para todos.

A história de Arilda reforça a importância de políticas públicas e ações voluntárias que garantam acessibilidade nos espaços de lazer. Praias como a de Porto Seguro, que contam com cadeiras anfíbias e equipes treinadas, mostram que é possível incluir todos, independentemente das condições físicas. Mais do que um banho de mar, a idosa vivenciou um momento de liberdade, afeto e reconhecimento de que os sonhos não têm idade nem são limitados por condições físicas.

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