Greve da CPTM: entenda os motivos da paralisação desta terça-feira
Greve da CPTM: motivos da paralisação desta terça

Os trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciaram uma greve nesta terça-feira (4) que afeta diretamente milhões de passageiros na região metropolitana de São Paulo. A paralisação, convocada pelo Sindicato dos Ferroviários, tem como principais reivindicações o reajuste salarial de 12% e a melhoria das condições de trabalho, incluindo a redução da jornada e o fim das terceirizações.

Motivos da greve

De acordo com o sindicato, a categoria enfrenta defasagem salarial acumulada nos últimos anos, com perdas estimadas em 15% acima da inflação. Além disso, os trabalhadores denunciam o aumento de acidentes e o déficit de funcionários nas estações e nos trens, o que compromete a segurança dos usuários e dos próprios empregados.

“A empresa não apresentou nenhuma proposta concreta para a nossa pauta. Estamos lutando por dignidade e por um transporte público de qualidade para a população”, afirmou José Carlos, presidente do sindicato, em entrevista à rádio local.

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Impacto nos passageiros

A greve ocorre em horário de pico, das 4h às 12h, e deve afetar cerca de 4 milhões de passageiros que utilizam as linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. As estações amanheceram com portões fechados e grande movimento de usuários tentando alternativas de transporte, como ônibus e aplicativos.

Segundo a CPTM, a operação está parcialmente suspensa e a previsão é de normalização apenas após o fim da paralisação. A companhia informou que respeita o direito de greve, mas considera a medida desproporcional e que pode acionar a Justiça para garantir o funcionamento mínimo do serviço.

Negociações em impasse

As negociações entre o sindicato e a CPTM se arrastam há mais de 60 dias, sem acordo. A empresa alega que o reajuste de 12% é inviável financeiramente, oferecendo 5% de aumento, o que foi recusado pela categoria. A mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) está marcada para a tarde desta terça-feira, mas a tendência é de que a greve continue até que haja uma proposta satisfatória.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que a paralisação evidencia a fragilidade do sistema de transporte sobre trilhos em São Paulo, que sofre com investimentos insuficientes e sucateamento. A população, mais uma vez, fica refém da falta de diálogo entre as partes.

Histórico de greves

Esta não é a primeira vez que a CPTM enfrenta uma greve nos últimos anos. Em 2024, uma paralisação de 24 horas parou completamente o sistema e gerou prejuízos de R$ 10 milhões para a economia da cidade. Apesar dos transtornos, os trabalhadores conquistaram na ocasião um abono de R$ 1.000, mas sem reajuste salarial.

A expectativa agora é de que o TRT consiga intermediar um acordo que evite novos prejuízos à população e garanta os direitos dos trabalhadores. Até lá, os usuários devem buscar alternativas de transporte e se planejar para os atrasos.

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