O Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou a implementação de um novo programa de triagem para "deficiência de testosterona" entre as tropas, classificando-o como necessário para permitir que atuem em seu "desempenho máximo". A medida ocorre em um momento em que outras autoridades da administração Trump começaram a defender um acesso mais fácil a terapias de reposição de testosterona para homens.
O que é a testosterona e para que serve?
A testosterona é responsável pelo desenvolvimento das características sexuais masculinas: desenvolvimento do pênis, crescimento de pelos e aumento da massa muscular. Ela também atua no sistema ósseo, garante a libido masculina e auxilia no metabolismo. A queda gradual da testosterona com a idade é comum, mas nem sempre exige reposição.
Quem precisa de reposição de testosterona?
A reposição só é indicada após diagnóstico combinado: clínico e laboratorial. Segundo o urologista Luiz Otávio Torres, "se o paciente estiver com a testosterona baixa, mas sem sintomas, não indicamos a reposição. Também não indicamos se ele estiver com os sintomas, mas com a testosterona normal. Agora, se ele tem os sintomas e o hormônio está baixo, aí começamos a pensar na reposição".
A reposição é indicada para hipogonadismo, condição em que o corpo não produz testosterona suficiente devido a problemas nos testículos ou na glândula pituitária, ou para homens com síndromes genéticas que afetam a produção hormonal. O diagnóstico é feito com exames de sangue que confirmam níveis baixos e sintomas como diminuição do desejo sexual, cansaço, fadiga e irritabilidade.
Para mulheres, a reposição é indicada apenas para aquelas com diagnóstico de desejo sexual hipoativo (DSH), distúrbio caracterizado por diminuição ou cessação do desejo sexual por mais de seis meses. Especialistas lembram que não há indicação para reposição visando vigor físico ou estética, e os chamados "chips da beleza" são proibidos no Brasil.
Riscos da reposição sem indicação
A reposição de testosterona, quando bem indicada, pode melhorar a qualidade de vida. Porém, repor um hormônio que não está em falta traz riscos. Nas mulheres, pode causar masculinização (engrossamento da voz e aumento de pelos faciais), elevação do colesterol e alterações de humor. Nos homens, o excesso de testosterona está ligado a hipertrofia da musculatura cardíaca, alteração hepática, acne, queda de cabelo, infertilidade (entre 40 e 55 anos) e piora de câncer de próstata ou mama. A suplementação só deve ser realizada quando os benefícios superam os riscos e sempre com orientação médica.
Testes de testosterona nos EUA e facilitação na prescrição
As novas triagens serão realizadas anualmente como parte dos exames médicos obrigatórios para militares com 30 anos ou mais. Militares com menos de 30 anos poderão se voluntariar. O Pentágono não especificou quais condições seriam alvo da política. No vídeo de divulgação, Hegseth afirmou que a adesão à terapia de reposição seria voluntária.
O anúncio ocorre enquanto o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outras autoridades tomam medidas para facilitar a prescrição de testosterona. No mês passado, a FDA propôs flexibilizar restrições para géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona. No Brasil, o hormônio também vem se popularizando nas redes sociais e em clínicas que prometem ganho de massa muscular, emagrecimento e rejuvenescimento, mas especialistas reforçam os riscos do uso sem necessidade.



