A edição de 2025 do encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, destacou avanços significativos no combate aos cânceres femininos, com foco em mama, ovário e colo de útero. O evento, com o tema 'Transformando o Conhecimento em Ação: Construindo um Futuro Melhor', apresentou estudos que prometem melhorar o monitoramento e o tratamento dessas doenças.
Um dos destaques foi o estudo Serena 06, publicado no New England Journal of Medicine, que propõe o uso de exames de sangue para detectar precocemente a resistência a medicamentos em câncer de mama hormonal metastático. O ensaio acompanhou 315 pacientes e mostrou que o aumento do DNA tumoral circulante no sangue pode indicar a necessidade de troca de terapia antes que os exames de imagem mostrem progressão, permitindo intervenção mais rápida e melhor controle da doença.
Para o câncer de mama HER2 positivo, um anticorpo droga-conjugado de nova geração demonstrou grande eficácia como primeira linha de tratamento. Já no câncer de mama triplo negativo, a combinação de ADC com imunoterapia superou os esquemas padrão baseados em quimioterapia e imunoterapia em pacientes com marcador PDL1 positivo. Além disso, a associação de inibidores da via PI3K com inibidores de ciclina e hormonioterapia mostrou ganhos relevantes em sobrevida para pacientes com doença hormonal de alto risco.
Um estudo brasileiro também foi destaque: em Itaberaí, Goiás, um projeto coordenado pelo professor Ruffo Freitas Júnior reduziu em 50% os diagnósticos tardios de câncer de mama em mulheres atendidas pelo SUS em três anos. A iniciativa combinou o uso de aplicativos (Rosa e Rosa Watch), capacitação de agentes comunitárias e descentralização de biópsias, superando a meta inicial de redução de 20%.
Outro dado relevante veio do estudo do médico Luís Carlos Lopes Júnior, da Universidade Federal do Espírito Santo, que apontou um aumento de 219% na incidência de cânceres precoces (antes dos 45 anos) entre 2000 e 2019, com o câncer de mama sendo o mais prevalente. O trabalho reforça a necessidade de protocolos de rastreamento adaptados para mulheres jovens.
No cenário do câncer de ovário resistente à platina, o uso do medicamento relacorilante associado à quimioterapia impactou positivamente a sobrevida, oferecendo nova esperança para pacientes com essa forma agressiva da doença.



