Cerveja com proteína é saudável? Nutricionistas avaliam prós e contras
Cerveja com proteína é saudável? Nutricionistas avaliam

As cervejas com adição de proteína têm ganhado espaço nas prateleiras brasileiras, prometendo uma opção mais nutritiva para quem não quer abrir mão da bebida alcoólica. Mas será que essas versões são realmente saudáveis? Nutricionistas ouvidos pelo O Globo avaliam os prós e contras.

O que é a cerveja com proteína?

Diferente da cerveja tradicional, que é feita basicamente de água, malte, lúpulo e fermento, a versão proteica recebe adição de proteína isolada do soro do leite ou de fontes vegetais, como ervilha. Cada lata pode conter até 10 gramas de proteína, quantidade superior à de uma porção de iogurte grego. No entanto, o teor alcoólico permanece similar ao das cervejas comuns, variando entre 4% e 5%.

Benefícios apontados

Para a nutricionista esportiva Carla Mendes, o principal benefício é a saciedade: "A proteína ajuda a prolongar a sensação de estômago cheio, o que pode evitar o consumo exagerado durante um happy hour". Além disso, a bebida pode ser uma alternativa para quem busca repor nutrientes após atividades físicas leves, combinando hidratação com aporte proteico. Segundo ela, o produto é uma opção melhor do que misturar cerveja com suplementos, pois já vem com a dosagem ajustada.

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Riscos e desvantagens

Por outro lado, a nutricionista clínica Ana Paula Souza alerta para o excesso de calorias. "Uma lata de 350 ml de cerveja proteica tem cerca de 150 calorias, enquanto a versão comum tem em média 120. O ganho calórico pode ser significativo para quem consome várias latas", explica. Outro ponto é a presença de sódio e aditivos para melhorar o sabor, que pode ultrapassar 200 mg por porção. "Não é uma bebida milagrosa. Ela não substitui uma refeição nem deve ser usada como fonte principal de proteína", completa.

Impacto na dieta e no consumo

Especialistas recomendam que a cerveja com proteína seja consumida com moderação, assim como qualquer bebida alcoólica. A Organização Mundial da Saúde sugere limite de duas latas por dia para homens e uma para mulheres. Além disso, pessoas com restrições ao glúten ou intolerância à lactose devem verificar os ingredientes, pois muitas marcas utilizam proteína do leite. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não regulamenta especificamente esse tipo de produto, o que gera preocupação quanto à qualidade das proteínas adicionadas.

Conclusão dos nutricionistas

No balanço geral, a cerveja com proteína pode ser uma opção interessante para momentos de lazer, desde que inserida em uma alimentação equilibrada. Mas não substitui a ingestão de proteínas vindas de alimentos naturais, como carnes, ovos e leguminosas. "O melhor é não criar expectativas exageradas. É uma cerveja com um plus proteico, mas ainda é uma cerveja", resume a nutricionista Carla Mendes.

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