Johnny Butcher, de 29 anos, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) por uma neurologista brasileira após o sistema público de saúde do Reino Unido (NHS) rejeitar a hipótese. O caso foi revelado pela esposa, Ana Clara Butcher, em entrevista ao G1.
Os primeiros sintomas surgiram em setembro de 2024, durante a lua de mel do casal, quando Johnny reclamou de dor persistente no ombro esquerdo. Nos meses seguintes, a mão e a perna esquerdas perderam força, e tremores apareceram. O NHS realizou ressonâncias magnéticas da coluna e do cérebro, ambas normais, e diagnosticou transtorno neurológico funcional.
O histórico familiar de ELA — bisavô, avô e um tio materno — levou o casal a suspeitar da doença. O NHS orientou retorno apenas oito meses depois. Com recursos limitados, Ana buscou neurologistas brasileiros por teleconsulta. Dois descartaram ELA, mas a terceira, Maiara Silva Tramonte, identificou sinais durante uma videochamada.
Tramonte solicitou uma eletroneuromiografia, exame capaz de detectar alterações compatíveis com ELA. O NHS recusou o encaminhamento por ela ser médica estrangeira. Ana então recorreu às redes sociais e encontrou uma clínica de médicos brasileiros em Londres, onde o exame foi realizado em duas semanas. O laudo confirmou ELA.
Johnny recebeu o diagnóstico em uma videochamada com Tramonte, na presença do pai e dos irmãos. Desde então, ele fez uma lista de desejos, incluindo levar o pai para conhecer o Brasil, país pelo qual se apaixonou. A ELA é uma doença neurodegenerativa que destrói neurônios motores, sem cura conhecida.



