A substituição da frota de ônibus a diesel por veículos movidos a biometano pode atrair R$ 69 bilhões em investimentos no Brasil, segundo estimativa da Associação Brasileira de Recuperação de Energia (Abren). O estudo, divulgado nesta terça-feira (3), aponta que a transição energética no transporte público urbano é uma oportunidade para reduzir emissões e gerar negócios.
Potencial de investimento e redução de emissões
De acordo com a Abren, o valor de R$ 69 bilhões seria aplicado na adaptação da frota, na construção de plantas de produção de biometano e na infraestrutura de abastecimento. Atualmente, o Brasil possui cerca de 200 mil ônibus urbanos, dos quais a maioria é movida a diesel. A troca por biometano, um combustível renovável produzido a partir de resíduos orgânicos, poderia reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa no setor.
O presidente da Abren, Cesar Bittar, destacou que o biometano é uma alternativa viável e imediata para descarbonizar o transporte público. "Temos tecnologia e matéria-prima abundante. O que falta é vontade política e investimento", afirmou. Ele ressaltou que o biometano pode ser usado nos motores a diesel com adaptações simples, o que reduz o custo da transição.
Benefícios econômicos e ambientais
Além da redução de emissões, a produção de biometano pode gerar empregos e renda, especialmente em áreas rurais onde há grande disponibilidade de resíduos agropecuários. O estudo da Abren indica que a cadeia produtiva do biometano poderia criar cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos até 2030.
A Abren também aponta que o biometano é mais barato que o diesel, com potencial de redução de até 30% nos custos de combustível para as empresas de transporte. Isso poderia resultar em tarifas mais baixas para os passageiros, além de menor dependência de importação de petróleo.
Desafios e próximos passos
Apesar dos benefícios, a Abren reconhece que há desafios a superar, como a necessidade de incentivos fiscais e linhas de financiamento específicas. A associação defende a criação de um marco regulatório que estimule a produção e o uso do biometano, bem como a inclusão do combustível na política nacional de biocombustíveis (RenovaBio).
O estudo será apresentado ao Ministério de Minas e Energia e ao Ministério do Meio Ambiente, com a expectativa de que o tema entre na agenda prioritária do governo. "Precisamos agir rápido para não perder a janela de oportunidade", alertou Bittar.
Em cidades como São Paulo, que possui a maior frota de ônibus do país, a adoção do biometano já é vista como uma alternativa para cumprir metas de redução de emissões. A prefeitura estuda um projeto piloto com 200 ônibus movidos a biometano até 2028.



