O ouro à vista subiu 2,3% nesta segunda-feira, atingindo US$ 2.450 a onça, impulsionado pela decisão dos Estados Unidos de suspender temporariamente os ataques contra o Irã e pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed) anuncie um corte de juros na próxima reunião.
Suspensão de ataques alivia tensão geopolítica
O governo americano anunciou no domingo a suspensão por 60 dias das operações militares contra o Irã, abrindo espaço para negociações diplomáticas. A medida reduziu o prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando o ouro, mas o metal precioso manteve a trajetória de alta devido a outros fatores.
“A trégua reduz o risco de um conflito aberto, mas o foco agora está na decisão do Fed”, disse Marcos Silva, analista do Banco ABC. “Com a inflação cedendo, o mercado precifica um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros americana.”
Expectativa de corte de juros impulsiona demanda
A expectativa de redução dos juros nos Estados Unidos enfraquece o dólar e reduz o custo de oportunidade de deter o ouro, que não rende juros. Dados recentes mostram desaceleração da inflação americana para 3,0% em junho, ante 3,3% em maio, reforçando a aposta no afrouxamento monetário.
Além disso, os investidores monitoram a reunião do Fed nos dias 30 e 31 de julho. Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de um corte de juros subiu para 78%, ante 65% na semana passada.
Impacto nos mercados financeiros
A alta do ouro beneficiou ações de mineradoras, como a Newmont, que subiu 4,5% na bolsa de Nova York. Por outro lado, o índice dólar caiu 0,3%, enquanto o rendimento do título americano de 10 anos recuou para 4,12%.
Analistas recomendam cautela: “Se o Fed não sinalizar cortes adicionais, o ouro pode sofrer correção”, alerta Silva. “Mas o cenário de queda de juros e incertezas globais ainda é favorável.”



