Um estudo publicado na renomada revista científica Alzheimer's & Dementia estabelece uma forte associação entre a apneia obstrutiva do sono e o desenvolvimento de problemas de memória, além de um risco elevado de demência em indivíduos com mais de 40 anos. A pesquisa, que analisou dados de mais de 2 mil participantes, revelou que aqueles que não tratam a apneia apresentam desempenho cognitivo significativamente pior em testes de memória.
O que é apneia obstrutiva do sono?
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio caracterizado por pausas repetidas na respiração durante o sono, muitas vezes acompanhadas de ronco alto. Essas interrupções reduzem a oxigenação do cérebro e fragmentam o sono, fatores que, segundo os pesquisadores, podem acelerar o declínio cognitivo. O ronco é um dos sintomas mais comuns, mas nem todas as pessoas que roncam têm apneia.
Detalhes do estudo
O trabalho, conduzido por uma equipe internacional de neurologistas e especialistas em sono, acompanhou 2.010 voluntários com idades entre 40 e 80 anos durante um período médio de cinco anos. Os participantes foram submetidos a avaliações cognitivas anuais e monitoramento do sono. Os resultados mostraram que os indivíduos com apneia moderada a grave não tratada tinham 30% mais chances de apresentar declínio significativo na memória episódica e na função executiva em comparação com aqueles sem o distúrbio.
Tratamentos recomendados
Os pesquisadores enfatizam que o tratamento adequado da apneia pode reduzir substancialmente esses riscos. Dispositivos como CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) e BIPAP (pressão positiva em dois níveis) são altamente eficazes para manter as vias aéreas abertas durante o sono. "O uso consistente do CPAP não apenas melhora a qualidade do sono, mas também pode proteger a função cognitiva a longo prazo", afirmou o Dr. Carlos Mendes, um dos autores do estudo, em comunicado à imprensa.
Impacto na saúde pública
A demência é uma das principais causas de incapacidade entre idosos em todo o mundo, e a apneia do sono afeta cerca de 1 bilhão de pessoas globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde. "Identificar e tratar a apneia precocemente pode ser uma estratégia simples e de baixo custo para reduzir a incidência de demência", destacou o Dr. Mendes. O estudo reforça a importância de incluir a triagem de apneia do sono em check-ups de rotina para adultos acima de 40 anos.
Próximos passos
A equipe planeja agora investigar se o tratamento precoce com CPAP pode reverter ou desacelerar o declínio cognitivo já instalado. Novos ensaios clínicos estão sendo desenhados para avaliar o impacto de intervenções combinadas, como terapia cognitiva e uso de dispositivos de pressão positiva.



