Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, que perdeu os movimentos das pernas após ser atingida por um galho de árvore na Praça Osório, em Curitiba, afirmou estar confiante com a evolução do tratamento após receber a polilaminina, mas ressaltou que o processo é gradual. Quase um mês após a aplicação da medicação e um dia depois de receber alta hospitalar, ela concedeu entrevista exclusiva à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, nesta quinta-feira (16).
Formigamento e primeiros sinais de recuperação
Ana Beatriz relatou que tem percebido formigamentos intensos e constantes nas pernas, além de espasmos e reflexos. "Estou começando a ter formigamentos intensos e constantes [...] Tenho espasmos, reflexos e estou começando a sentir um pouco quando pegam na minha perna... Mas é um passo de cada vez", destacou. Ela reconhece que cada paciente responde de forma diferente ao tratamento.
A jovem agradeceu à médica Tatiana Sampaio, responsável pelo estudo da polilaminina, e à equipe que acompanha o tratamento. Segundo Ana Beatriz, a expectativa em relação à medicação foi ajustada ao longo de conversas com outros participantes do estudo. "A gente vai conversando com outros pacientes também que estão dentro do estudo e vai vendo que é aos poucos, que cada corpo responde de uma forma. Não é do dia para a noite, é um processo, tempo e muita paciência", afirmou.
Adaptação à vida em casa
Após receber alta, Ana Beatriz passou a conciliar a rotina de fisioterapias com a adaptação à vida fora do hospital. Ela destacou que o apoio da família, dos amigos e das pessoas que acompanham a recuperação tem sido fundamental, especialmente nos momentos mais difíceis. "Hoje estou bem. Me adaptando ainda às rotinas de casa, das fisioterapias, é muita coisa. Não está sendo fácil [...] Tenho muito apoio e isso está sendo muito importante, até pra parte emocional. Sou muito grata por todo mundo que está orando, mandando mensagens, isso motiva a cada dia", contou.
Ela mantém o foco em pequenas conquistas e estabelece metas para o futuro, como recuperar a autonomia, voltar a trabalhar e andar até a data do casamento.
O acidente e as lesões
Ana Beatriz ficou gravemente ferida no dia 13 de julho, após ser atingida por um galho de árvore que caiu na Praça Osório, no Centro de Curitiba. Segundo a família, a Guarda Municipal fez o primeiro atendimento, imobilizou a vítima e acionou o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). Ela foi levada de ambulância para o Hospital do Trabalhador.
A jovem sofreu lesões severas no pulmão e na medula espinhal, entre as vértebras T5 e T6, e perdeu os movimentos das pernas. Durante a internação, passou por duas cirurgias de alta complexidade: uma para tratar o pneumotórax causado pelo trauma torácico e outra para estabilizar a coluna vertebral. Em nota, a Prefeitura de Curitiba lamentou o ocorrido e informou que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente mantém um programa permanente de monitoramento e manejo da arborização urbana.
Uso compassivo da polilaminina
A polilaminina é uma proteína sintética desenvolvida no Brasil, ainda em fase de estudos, com potencial para estimular a regeneração de nervos e tecidos lesionados na medula espinhal. A utilização da substância depende da análise individual de cada caso e da aprovação da Anvisa. O paciente precisa cumprir uma série de critérios clínicos. Conforme a Anvisa, o pedido de uso compassivo não é feito diretamente à agência, mas sim ao laboratório patrocinador, o Cristália. Caso o laboratório concorde em doar o medicamento experimental, submete um processo para aprovação final da Anvisa.
No caso de Ana, com a evolução clínica e o afastamento do risco imediato de morte, a equipe do Hospital do Trabalhador constatou a ausência de movimentos decorrente da lesão medular e avaliou que a paciente poderia se enquadrar nos critérios para receber a polilaminina por meio do programa de uso compassivo. A Anvisa liberou a aplicação da substância na jovem no dia 16 de julho.



