Alzheimer: diagnóstico precoce e tratamentos avançam com exames de sangue
Alzheimer: diagnóstico precoce com exames de sangue

O Alzheimer, forma mais comum de demência, pode ser detectado até 20 anos antes dos sintomas com novos exames de sangue, mas o diagnóstico ainda exige descartar causas reversíveis, como explicou o neurologista Jagan Pillai, diretor do Centro de Saúde do Cérebro da Cleveland Clinic, em entrevista durante a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer em Londres.

Primeiro passo: descartar causas reversíveis

“Essa é exatamente a pergunta que um médico deve fazer, e a primeira providência é procurar causas reversíveis. Por exemplo, se certificar de que os medicamentos não estão causando alterações cognitivas. O quadro pode ser o de depressão ou diabetes não controlados, ou outros transtornos, como problemas reumatológicos que estejam causando inflamação significativa no corpo”, explicou Pillai.

O especialista destacou que condições menos óbvias, como disfunção da tireoide ou deficiências vitamínicas, também podem prejudicar o desempenho cognitivo. A investigação depende de um levantamento detalhado do histórico médico. “Se as causas reversíveis são controladas, o paciente volta à sua vida normal”, afirmou.

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Família e cuidadores são essenciais

Após descartar situações reversíveis, a pesquisa se aprofunda. Pillai enfatizou a importância da presença da família ou de pelo menos um cuidador que conheça o contexto, para que a equipe de saúde tenha o ponto de vista de uma terceira pessoa. O neurologista lembrou que a doença pode levar até 20 anos para se manifestar e que, em sua fase inicial, a pessoa se mantém funcional, capaz de cuidar da rotina diária – “embora haja uma mudança em sua cognição maior do que o esperado para sua idade”, ressalvou.

Exames de sangue revolucionam o diagnóstico

Até recentemente, os especialistas dispunham de dois testes para fechar o diagnóstico: a análise do líquido espinhal ou o PET cerebral – procedimentos caros e praticamente indisponíveis no SUS, exceto em hospitais universitários ou centros de pesquisa de referência. Agora, exames de sangue permitem detectar alterações 15 ou 20 anos antes dos sintomas, mas no Brasil estão disponíveis apenas na rede privada.

Há medicamentos aprovados nos Estados Unidos e no Brasil que diminuem os níveis da proteína beta-amiloide – associada ao risco de Alzheimer – no cérebro. No entanto, eles não curam a doença e, se o paciente já apresenta demência moderada, o benefício é pequeno.

Perspectivas futuras

Em entrevista à Folha de São Paulo, o cientista Bruce Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em São Francisco, antecipou que, em 2027, serão divulgados estudos com pessoas saudáveis que apresentam depósitos de beta-amiloide mas ainda não têm sintomas. O objetivo é utilizar precocemente medicamentos que reduzam essa concentração e retardem a progressão da doença.

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