Os adesivos para secar espinhas, tradicionalmente usados para se camuflar na pele, ganharam uma nova roupagem. Agora, eles surgem coloridos e em formatos de desenhos, como corações e estrelas, ficando em evidência no rosto. O programa Bem-Estar mostrou que esses produtos podem ajudar com limitações, favorecendo uma cicatrização um pouco mais rápida. Mas quando a acne deixa de ser um problema pontual, ela precisa de um tratamento mais profundo.
Como os adesivos coloridos agem?
A maioria desses adesivos é feita com hidrocoloide, um polímero que, ao ser aplicado, cria um meio mais úmido e melhora a cicatrização. Outros adesivos são compostos por substâncias como melaleuca, ácido salicílico, niacinamida e peróxido de benzoíla. Também há produtos com microagulhas dissolvíveis, que se propõem a entregar os ativos de forma mais profunda.
A dermatologista Júlia Rocha explicou no Bem-Estar que esses produtos funcionam principalmente para acnes pontuais e que ainda são necessários mais estudos consistentes para afirmar sua eficácia. A médica detalha que os adesivos ajudam a diminuir a manipulação da lesão acneica, garantem proteção, reduzem o contato com bactérias, absorvem fluidos e secreções e melhoram o aspecto cicatricial. Assim, auxiliam na redução da inflamação e na absorção do líquido presente.
No entanto, eles não são capazes de tratar cravos nem lesões mais profundas, como nódulos e cistos, e não previnem a recorrência da acne. “Se você quiser usar de forma mais emergencial porque tem uma festa ou evento e não quer estar com aquela acne mais aparente, não tem problema. É bem possível que a cicatrização ocorra mais rapidamente, sobretudo se, em paralelo, você também estiver fazendo algum tratamento adequado para a acne de forma mais global”, explica Rocha.
Há algum risco associado ao uso?
Adesivos que contêm ativos como ácido salicílico e peróxido de benzoíla podem ser mais secativos, mas apresentam maior chance de irritação. A médica acrescenta que pessoas com pele sensível ou com alguma ferida no local de aplicação devem evitar o uso, pois o produto pode intensificar o ressecamento e até deixar a região mais irritada. Se a pessoa souber que tem alergia a algum componente da fórmula, também não deve usar.
Qual o melhor tratamento para acne em adolescentes?
Rocha explica que, para direcionar o melhor tratamento, é preciso entender a realidade de cada adolescente. De maneira geral, há os higienizadores tópicos, como géis e sabonetes. Os médicos costumam indicar produtos de limpeza para peles oleosas e acneicas, geralmente com ácido salicílico, zinco, peróxido de benzoíla, entre outros.
A médica destaca que é preciso avaliar se o recomendado será um tratamento tópico ou oral. Os tratamentos tópicos podem incluir adapaleno, ácido azelaico, ácido retinoico, ácido salicílico, peróxido de benzoíla e dapsona. Já os tratamentos orais dependem de gênero, idade e outras condições. Entre as opções estão espironolactona (bloqueio androgênico), contraceptivos orais, isotretinoína e, em casos selecionados, antibióticos. “Podemos usar localmente injeções de esteroides que ajudam a reduzir a acne local. Hoje, também temos possibilidades com tecnologias como laser e peelings, entendendo a condição de base de cada pele”, diz Rocha.
Cerca de 70% dos brasileiros entre 16 e 24 anos nunca foram ao dermatologista
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a acne é a condição mais frequente nos consultórios particulares, principalmente entre jovens de 13 a 24 anos. No entanto, 70% dos brasileiros entre 16 e 24 anos – justamente a faixa etária mais afetada – nunca consultaram um dermatologista.



