Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) sugere que acariciar gatos pode não ser a melhor estratégia para aliviar o estresse. A pesquisa, publicada na revista "Comportamento Animal e Bem-Estar", indica que, em situações de alta tensão, o contato com felinos pode, na verdade, piorar o estado emocional das pessoas.
Metodologia do estudo
Os cientistas acompanharam 120 voluntários que passaram por uma simulação de estresse agudo, como falar em público ou resolver problemas matemáticos sob pressão. Metade dos participantes foi instruída a interagir com gatos durante o período de recuperação, enquanto a outra metade permaneceu em silêncio ou realizou atividades neutras.
Os resultados mostraram que aqueles que acariciaram os gatos apresentaram níveis mais altos de cortisol, o hormônio do estresse, em comparação com o grupo de controle. Além disso, relataram sentir-se mais ansiosos e menos relaxados.
Possíveis explicações
Segundo os autores, uma hipótese é que os gatos, por serem animais independentes e nem sempre receptivos ao toque, podem gerar frustração ou desconforto quando a interação não ocorre como esperado. "Quando estamos estressados, buscamos conforto, mas o comportamento imprevisível dos gatos pode aumentar a sensação de falta de controle", explica a coordenadora do estudo, Dra. Mariana Silva.
Outro fator apontado é que o ato de acariciar pode não ser suficiente para reduzir a ativação fisiológica do estresse, especialmente se a pessoa não tem uma ligação afetiva forte com o animal.
Contraste com cães
O estudo também comparou a interação com cães, que são conhecidos por serem mais sociáveis e responderem positivamente ao toque humano. No caso dos cães, os participantes apresentaram redução significativa nos níveis de estresse, o que reforça a diferença entre as espécies.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados não significam que ter um gato seja prejudicial, mas sim que, em momentos de estresse agudo, outras estratégias podem ser mais eficazes. "Para quem já tem um vínculo forte com seu gato, a situação pode ser diferente. Mas, de modo geral, recomendamos cautela ao buscar conforto em animais que não estão acostumados com a interação humana intensa", afirma a Dra. Silva.
Recomendações práticas
Para quem deseja usar animais como forma de alívio do estresse, os especialistas sugerem:
- Optar por animais que demonstrem claramente que gostam do contato, como cães;
- Respeitar o espaço do animal e não forçar a interação;
- Considerar outras atividades calmantes, como ouvir música ou praticar respiração profunda;
- Se tiver um gato, observar seu comportamento e preferir momentos em que ele busca ativamente o contato.
O estudo abre caminho para novas investigações sobre como diferentes espécies de animais de estimação afetam a saúde mental humana, especialmente em contextos de estresse.



