Vila de Taquarussu: refúgio centenário de imigrantes italianos em SP
Vila de Taquarussu: refúgio centenário de imigrantes em SP

Com mais de um século de história, a Vila de Taquarussu, localizada no distrito rural do Quatinga, em Mogi das Cruzes (SP), é um verdadeiro refúgio escondido. Apesar do rico passado ligado à imigração italiana e à produção de carvão, o local é pouco conhecido até mesmo por moradores da região do Alto Tietê. Situada a quase uma hora do centro de Mogi, a vila está geograficamente mais próxima de Santo André, no ABC Paulista — uma curta viagem de carro de pouco mais de 15 minutos leva ao famoso distrito de Paranapiacaba.

A chegada dos imigrantes italianos

Quem guarda a memória de Taquarussu é Marlene Begliomini, neta dos italianos Marinella e Giuseppe Begliomini, que se mudaram para Mogi durante a Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914. “Durante a guerra, as pessoas passavam por problemas econômicos e saíam da Itália em busca de uma vida melhor. Eu não sei quem foi o primeiro, mas alguém veio para o vilarejo, onde já moravam alguns italianos, e meu avô e minha avó, com os irmãos, vieram para tentar a vida no Brasil”, conta Marlene. A vila logo ficou conhecida como 'Vila dos Italianos', enquanto a vizinha Paranapiacaba era a 'Vila dos Ingleses'. Uma estrada de ferro a carvão ligava as duas e servia para escoar mercadorias para o porto de Santos. A principal atividade econômica era a fabricação de lenha e carvão.

Estrutura e vida na vila

A vila possuía sua própria mercearia e uma escola. Quase 100 pessoas viviam no local, em casas de madeira que, com o tempo, se deterioraram. “Um mascate era quem levava os produtos para a venda, que, além de encomendas, vendia ainda café, arroz, feijão e outras mercadorias básicas. Tudo era vendido em sacos de juta para os moradores”, relembra Marlene. Uma bomba de diesel, que ainda permanece no local, foi instalada posteriormente para abastecer os caminhões que substituíram os trens.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A capela de Santa Luzia e a promessa

A tradição religiosa é forte em Taquarussu. Todo dia 13 de dezembro, uma missa é celebrada na capela dedicada a Santa Luzia, construída por uma promessa. “Um primo do meu pai era ateu e começou a perder a visão. A família fez uma promessa de que, se ele voltasse a enxergar, construiria a capela”, relata Marlene. O templo, iniciado em 1912, foi finalizado em 1945 e inteiramente pintado à mão por um artista italiano, tornando-se um dos maiores atrativos históricos do local.

Declínio e recomeço

Com a popularização dos caminhões, a ferrovia e o carvão perderam espaço. As famílias foram deixando Taquarussu em busca de novos empregos. O pai de Marlene, Sirio Begliomini, comprou as terras dos familiares, mas a vila foi ficando cada vez mais vazia. Atualmente, apenas um caseiro e sua família moram fixamente no local. Para evitar vandalismo e uso indevido, a família cercou a propriedade. Agora, quem quiser conhecer a história e a natureza do local — que conta com lago e cachoeira — pode visitar a Vila de Taquarussu mediante reserva antecipada. É possível acampar ou até mesmo se hospedar na casa centenária que resiste ao tempo, proporcionando uma experiência única de imersão na história e na paisagem rural do Alto Tietê.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar