Imagens da câmera corporal de um policial militar contradizem os depoimentos dos agentes envolvidos na morte de Thawanna Salmázio, em 3 de abril, em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. A análise da TV Globo aponta divergências desde o início da abordagem até o momento do disparo.
O caso começou quando Thawanna e o marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, caminhavam de mãos dadas. Uma viatura da PM passou pela rua e Luciano esbarrou no retrovisor. O policial Weden Silva Soares deu ré e iniciou uma discussão com xingamentos. A soldado Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e também começou a discutir com Thawanna.
Segundo o tenente-coronel da reserva Adilson Paes de Souza, a ação foi um 'absurdo' e não seguiu nenhum protocolo da corporação. Ele afirma que houve uma sequência de abusos que resultou na morte de Thawanna, que deveria ser investigada como homicídio qualificado por motivo fútil. 'Quem começou agredindo foram os policiais militares', diz.
Após o disparo, os agentes impediram que Luciano se aproximasse da esposa enquanto ela agonizava no chão. Thawanna foi socorrida cerca de 30 minutos depois, mas não resistiu. A policial Yasmin afirma que reagiu após levar um tapa no rosto, mas as imagens não mostram essa agressão.
O ex-ouvidor das polícias de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, classifica o episódio como uma 'desinteligência' e aponta falhas, como a viatura estar com sinalizadores desligados. Os policiais foram afastados das atividades operacionais até o fim das investigações.



