Trólebus marcaram época no transporte de Ribeirão Preto por 17 anos
Trólebus marcaram época no transporte de Ribeirão Preto

Antes da chegada dos atuais ônibus elétricos ao Brasil, Ribeirão Preto (SP) já teve uma experiência sustentável com um sistema de transporte público totalmente movido a energia elétrica. Os trólebus circularam pelas ruas da cidade durante 17 anos e chegaram a transportar cerca de 800 mil passageiros por mês em seu período de maior movimento.

Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos que pouca gente conhece ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.

O início dos trólebus

Os trólebus operaram em Ribeirão Preto entre 1982 e 1999. A cidade foi escolhida pelo governo federal para participar de um programa experimental que buscava implantar um novo modelo de transporte coletivo urbano. A proposta era oferecer um sistema menos poluente, mais silencioso e, em tese, mais econômico do que os ônibus convencionais movidos a diesel.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Ao todo, a frota contava com 22 veículos que atendiam dez itinerários diferentes. Os ônibus circulavam por rotas fixas, definidas pela rede aérea instalada nas ruas. A estrutura era formada por postes e cabos responsáveis por fornecer energia elétrica aos veículos durante o trajeto.

Mesmo com uma quantidade limitada de ônibus, os trólebus atendiam as linhas de maior demanda da cidade. No auge da operação, em 1995, o sistema contava com 58 quilômetros de rede elétrica e transportava cerca de 800 mil passageiros por mês.

Manutenção e atrasos

Apesar das vantagens ambientais, o sistema enfrentava dificuldades operacionais que contribuíram para sua desativação. Um dos problemas mais frequentes acontecia quando os veículos se desconectavam da rede elétrica ao passar por lombadas ou irregularidades no asfalto. Nessas situações, os passageiros precisavam aguardar o conserto dos cabos, o que causava atrasos e comprometia os horários dos itinerários.

Além disso, por dependerem da rede aérea, os trólebus tinham dificuldade para desviar de obstáculos ou ocorrências no trânsito, aumentando os desafios da operação. Diante dessas limitações, o sistema foi encerrado em 3 de julho de 1999. A substituição pelos ônibus convencionais gerou críticas de parte da população, que comentava que os veículos eram muito poluentes.

Memória preservada

Mais de duas décadas após a desativação do sistema, alguns vestígios dos trólebus ainda podem ser encontrados em Ribeirão Preto. Na Rua Barão do Amazonas, na região central, permanece uma das estruturas metálicas que sustentavam a rede aérea de energia. Já na esquina das ruas São Paulo e Ceará, no bairro Campos Elíseos, funcionava uma subestação responsável por converter a energia da rede elétrica para alimentar os veículos.

Considerados como 'filhos' do trólebus, os ônibus elétricos chegaram em Ribeirão Preto em agosto de 2025, atualmente a cidade conta com apenas quatro veículos desse tipo em operação. Segundo a RP Mobi, empresa responsável pela gestão do trânsito e transporte na cidade, a frota deve ser ampliada futuramente, embora ainda não exista uma previsão oficial.

*Sob a supervisão de Rodolfo Tiengo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar