São Paulo inaugurou neste domingo (30) o primeiro trecho da Linha 6-Laranja do metrô, após 18 anos de atrasos e escândalos de corrupção. A nova linha, que liga a região norte da cidade ao centro, adiciona 11,7 km à malha metroviária da capital paulista, mas a rede ainda é inferior à de outras metrópoles globais.
Detalhes da inauguração
O trecho inicial opera entre as estações Brasilândia e São Joaquim, com sete estações. A obra, iniciada em 2012, foi paralisada diversas vezes devido a problemas financeiros e investigações da Operação Lava Jato. A construção foi retomada em 2020 sob um modelo de parceria público-privada (PPP), com investimento total estimado em R$ 13 bilhões.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou da cerimônia de abertura e destacou a importância da linha para a mobilidade urbana. "É um dia histórico para São Paulo. A Linha 6 vai beneficiar mais de 600 mil passageiros por dia", afirmou.
Mudança na política de concessões
Em contraste com sua posição anterior, Tarcísio sinalizou que pretende ampliar a participação pública na gestão do metrô. Durante a campanha eleitoral, ele defendia a concessão privada de todas as linhas operadas pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Agora, o governador afirma que estudará a manutenção de algumas linhas sob controle estatal.
"A Linha 6 mostrou que a PPP pode funcionar, mas não podemos abrir mão do controle público em todas as áreas. Vamos avaliar caso a caso", disse Tarcísio, durante entrevista coletiva.
Comparação com outras metrópoles
Apesar da expansão, a rede de metrô de São Paulo soma 104 km, muito aquém de cidades como Nova York (380 km), Londres (402 km) e Xangai (743 km). Especialistas apontam que o atraso na Linha 6 é reflexo de décadas de subinvestimento e falta de planejamento de longo prazo.
"São Paulo precisa de ao menos 200 km de metrô para atender a demanda atual. A Linha 6 é um passo importante, mas insuficiente", avaliou o urbanista Marcos Mendes, do Instituto de Engenharia.
Próximos passos
O governo estadual planeja concluir o restante da Linha 6 até 2028, com a adição de mais oito estações e 4,3 km de extensão. Além disso, está em estudo a licitação da Linha 20-Rosa, que ligará a zona sul ao centro. No entanto, a falta de recursos e a mudança na política de concessões podem atrasar esses projetos.



