O empresário Fabrício de Souza Almeida e Vanda Garcia de Almeida, sobrinho e irmã do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium (Republicanos), tornaram-se réus na Justiça Federal por financiamento de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Além deles, outros quatro acusados integram o processo.
Os seis respondem criminalmente por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), autor da ação, o grupo movimentou R$ 64 milhões entre janeiro de 2017 e outubro de 2021. O esquema foi descoberto pela Polícia Federal.
Fabrício é apontado pelo MPF como chefe do esquema. Também se tornaram réus João Alisson de Sousa Alencar Lima, Paulo Pessoa Silva, Rafael Silva Souza e Wellington de Oliveira Castro, marido de Vanda. As penas pelos crimes podem ultrapassar 20 anos de prisão.
O MPF pediu à Justiça que todos sejam condenados a pagar indenização mínima de R$ 500 mil por danos morais coletivos aos indígenas Yanomami. Para ocultar a origem do dinheiro, os denunciados realizavam transferências sucessivas entre contas, saques fracionados em espécie e usavam empresas sem atividade real, informou o MPF.
Uma das empresas investigadas, registrada como prestadora de serviços de representação comercial, movimentou mais de R$ 11 milhões em pouco mais de três anos, sem possuir empregados, veículos ou endereço comercial efetivo. Durante as investigações, foram apreendidos equipamentos típicos de garimpo, como bombas hidráulicas, motores e uma resumidora de cassiterita, na residência do líder da organização criminosa.
Em nota, o ex-governador Denarium afirmou que não tem gestão nem responsabilidade sobre atos de parentes que vivem em lares diferentes do seu, e que, se algum ilícito foi cometido, devem ser responsabilizados nos termos da lei. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Procuradoria da República em Roraima (Gaeco/PRRR).



