PF realiza buscas na casa do ex-governador Cláudio Castro por fraudes na Refit
PF realiza buscas na casa do ex-governador Cláudio Castro por fraudes na Refit

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), nesta sexta-feira (15), como parte da Operação Sem Refino. A investigação apura fraudes no setor de combustíveis e o uso da máquina pública estadual para facilitar a sonegação de impostos pela refinaria Refit, de propriedade do empresário Ricardo Magro.

Segundo a PF, a Refit acumula uma dívida de quase R$ 50 bilhões em impostos, sendo R$ 14 bilhões apenas para o estado do Rio, o que a torna a segunda maior devedora fluminense. Em vez de cobrar os débitos, o governo estadual teria atuado para beneficiar a empresa, com envolvimento direto de Cláudio Castro. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aponta que o ex-governador direcionou esforços da máquina pública em favor do grupo de Ricardo Magro, incluindo as secretarias da Fazenda, Meio Ambiente, Procuradoria-Geral do Estado e Polícia Civil.

Durante a operação, agentes estiveram por três horas no apartamento de Castro, na Barra da Tijuca, e apreenderam malotes, um celular e um tablet. A PF também cita que Castro trocou o procurador-geral do Estado para beneficiar o esquema: substituiu Bruno Dubeux, que atuava no refinanciamento da dívida da Refit, por Renan Miguel Saad, que também foi alvo da operação. Saad teria manifestado favoravelmente à reabertura da refinaria, interditada desde setembro de 2025 por suspeitas de não refinar combustível e importar produto pronto para pagar menos impostos.

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O dono da Refit, Ricardo Magro, teve a prisão preventiva decretada e está foragido, com nome incluído na difusão vermelha da Interpol. A PF afirma que ele reside em Miami, nos Estados Unidos. A investigação aponta que o grupo criava empresas em cadeia para evitar o recolhimento de tributos, obtinha liminares para adiar pagamentos e é acusado de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Outros alvos da operação incluem o ex-secretário de Fazenda Juliano Pasqual, nomeado por Castro, que teria transformado a secretaria em extensão da estrutura empresarial da Refit. Na casa de Álvaro Barcha, operador financeiro do grupo, a polícia encontrou R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira e apreendeu dois carros de luxo. Barcha foi preso em flagrante por porte ilegal de arma. Já na residência do policial civil Maxwell Moraes Fernandes, foram achados R$ 500 mil escondidos em caixas de sapato.

A PF também cita o uso de celulares em nome de pessoas falecidas para dificultar o rastreio de conversas. O desembargador Guaraci de Campos Vianna é acusado de proteger os interesses da Refit e já foi afastado pelo Conselho Nacional de Justiça em março. Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa dele. Outro investigado é Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, cujo envolvimento é detalhado no inquérito.

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