Pelo menos 17 estados brasileiros registram alianças entre as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e TCP (Terceiro Comando Puro), conforme levantamento da Folha baseado em investigações da Polícia Federal, polícias civis e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
As alianças têm caráter pragmático, voltado à expansão territorial e ao fortalecimento de mercados ilícitos, com foco na maximização de lucros. O TCP se destaca por expandir sua presença para além do Rio de Janeiro, firmando alianças em ao menos dez estados, muitas vezes se aproximando do PCC para fazer frente ao CV, seu rival histórico.
Segundo David Marques, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crime organizado deixou de ser local e passou a atuar em escala nacional e transnacional. O rompimento entre PCC e CV, em 2016 e 2017, após o assassinato de Jorge Rafaat, marcou o início da expansão das facções.
O CV manteve foco no controle territorial armado, enquanto o PCC consolidou um modelo voltado ao atacado e à logística do tráfico, priorizando parcerias para garantir o fluxo de drogas. O TCP, embora menor, cresce em moldes semelhantes ao CV.
Bruno Paes Manso, pesquisador da USP, avalia que a configuração das alianças é influenciada por rivalidades históricas, e que o país vive uma redução no número total de facções, com a formação de alianças motivadas por estratégias de mercado. "Os grupos perceberam que quanto menos guerra, menos custo", afirmou.
No Espírito Santo, o crime organizado se estrutura por alianças entre facções nacionais e grupos locais, como o PCV (Primeiro Comando de Vitória), aliado ao CV. O PCC também atua no estado, fornecendo drogas a traficantes que não queriam se aliar ao CV.



