A tradicional festa em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife, chega à 330ª edição neste ano e marca a apresentação do novo manto da imagem peregrina. A vestimenta foi exibida aos fiéis na noite da quarta-feira (15), véspera do feriado municipal celebrado nesta quinta-feira (16).
Inspiração nos 775 anos do escapulário
Segundo a gestão da Basílica do Carmo, o manto, renovado anualmente, foi inspirado nos 775 anos da entrega do escapulário ao frade carmelita São Simão Stock. A peça reúne referências à espiritualidade carmelita, à tradição bíblica e à história da devoção.
“Este ano celebramos os 775 anos da entrega do primeiro escapulário por Nossa Senhora a São Simão Stock. Por isso, o manto traz essa referência com o escapulário em destaque. Também apresenta um diferencial, que é um manto em alto-relevo, com fundo repleto de pedrarias e strass para criar um efeito de muito brilho”, explicou Fábio Ítalo, especialista em vestes litúrgicas.
Processo de confecção e detalhes
O bordado realizado por Fábio Ítalo durou cerca de três meses. O projeto foi assinado por André Phillipe Ralph, membro da Ordem Terceira do Carmo do Recife, e a confecção, pela devota Maria Lizete Feitosa. A peça traz ainda nove anjos contornando a vestimenta.
“São três meses de bordado, mas o processo de criação começa antes disso. Phillipe Ralph, que é irmão carmelita, está sempre em diálogo comigo, trocando ideias para que, a cada ano, a gente apresente algo diferente e deixe Nossa Senhora ainda mais bonita”, contou Fábio Ítalo.
Além do manto deste ano, a Basílica do Carmo reúne outras 19 peças em seu acervo. O modelo mais antigo é da década de 1980.
Evolução dos mantos
A tradição de confeccionar mantos para a imagem surgiu entre os devotos. Desde 1951, quando a imagem saiu em procissão pela primeira vez, a escultura de madeira era conduzida sem qualquer adorno. Com o tempo, os fiéis passaram a cobri-la com um manto, vestimenta tradicional da devoção carmelita.
“Podemos dizer que o manto surgiu de forma espontânea. Os primeiros eram bem mais simples, com alguns bordados e poucas pedras, geralmente sem um tema específico. Com o passar dos anos, ganharam temas, relevos e bordados mais sofisticados, até chegarmos ao modelo que temos hoje”, afirmou André Phillipe Ralph, historiador e idealizador do manto.
Significado do escapulário
O escapulário representado no novo manto simboliza a aliança entre a Virgem Maria e os fiéis. No altar da Basílica do Carmo, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife, uma imagem menor faz referência aos 775 anos da entrega do primeiro escapulário a São Simão Stock.
“Nós usamos esse escapulário longo, semelhante a um avental. Mas, para o leigo, que trabalha e realiza outras atividades no dia a dia, seria difícil utilizá-lo. Por isso, a Igreja passou a permitir uma versão em miniatura, usada sobre o peito e as costas, sem atrapalhar a rotina”, explicou o frei Cidmário Bezerra.
O escapulário usado pelos fiéis é formado por duas pequenas medalhas ligadas por um cordão. Em uma delas, está a imagem de Nossa Senhora do Carmo. Na outra, a representação do Sagrado Coração de Jesus. Na parte de trás, há um pequeno pedaço de tecido marrom, em referência ao hábito dos carmelitas.
“Esse símbolo significa justamente a proteção materna de Nossa Senhora. A presença dela na vida daquela pessoa que é consagrada”, afirmou.



