O cachorro Poze, um dos famosos 'frentiscães' que trabalham uniformizados em um posto de combustíveis em Campinas (SP), desapareceu na noite de domingo (12) durante uma viagem de trailer com a família na cidade de El Bolsón, na região da Patagônia, na Argentina. O município tem cerca de 24 mil habitantes.
Buscas intensas e dificuldades
Resgatado ainda filhote e figura conhecida no posto administrado por um dos tutores, Giovanni Fernandes, Poze sumiu após ser solto em um acampamento. Giovanni contou ao g1 que realiza buscas diárias, colou cartazes e mobilizou moradores e a imprensa local.
Embora conte com o apoio da noiva, a força-tarefa não tem sido fácil. A hidráulica do trailer onde a família passa os dias quebrou durante a viagem, deixando-os sem banho e cozinha, e o dinheiro e a ração dos outros cachorros estão no fim. A família ainda tem compromissos profissionais. Caso Poze não seja encontrado, Giovanni e a noiva avaliam voltar ao Brasil para resolver tarefas e deixar os outros três cães — Matuê, Nagalli e Flávia — e depois retornar à Patagônia.
Último avistamento
Na noite de domingo, a família recolheu os cães para gravar uma publicidade e depois os soltou novamente em um acampamento. Os três cães voltaram para casa, mas Poze não retornou. A família viaja com quatro cães e havia parado em um acampamento localizado a cerca de dez minutos de uma estação de esqui. Segundo Giovanni, fazia parte da rotina deixar os animais livres no espaço cercado, que tinha um bosque ao fundo.
O tutor descreve Poze como um cão 'malandro', que não se assusta com facilidade e gosta de interagir com outros cachorros — reflexos do período em que viveu nas ruas. Em casa, no entanto, costuma se fazer de difícil e raramente pede atenção. Com tristeza, Giovanni recordou a última interação: 'Ele veio pedir carinho de um jeito tão, tipo, que não era dele. Pediu tanto carinho, não parava [...] e a gente até brincou: nossa, como você está carinhoso, nem parece você. E foi a última interação que a gente teve com ele.'
Desafios geográficos e tecnológicos
A procura pelo cão esbarra em desafios geográficos e tecnológicos, além do clima adverso. A região de difícil acesso é cortada por uma rodovia, um rio e trilhas de montanha. Três obstáculos principais dificultam as buscas:
- Rastreador sem sinal: Poze usa uma tag de localização, mas o dispositivo exige celulares da mesma marca conectados à internet por perto. Na zona rural argentina, não há sinal.
- Frio extremo: a região registra chuvas contínuas e baixas temperaturas, gerando temor de que o animal sofra de hipotermia e fome.
- Fator cultural: moradores de fazendas locais estão acostumados com cães soltos e podem não perceber que Poze está perdido, mesmo ele usando coleira de identificação.
'Ele teve muitos lugares para poder ir. Então, é difícil de procurar. Uma das ruas ia até o centro de esqui, a gente fez ela até o final, não encontramos ele, avisamos todo mundo do centro de esqui. E aí, eles [moradores locais] já postaram em grupos de Facebook por aqui', disse Giovanni.
História dos frentiscães
Ex-cachorro de rua, Poze apareceu em uma das unidades da rede de postos da família de Giovanni e acabou sendo adotado. Ele foi acolhido no estabelecimento do Jardim Novo Campos Elíseos, onde, meses depois, foi adotado pelo gerente e ganhou coleira e uniforme de frentista. No posto, Poze se juntou a Matuê, um vira-lata caramelo de oito anos que foi o primeiro adotado no local e que chegou a sobreviver a um atropelamento grave.
A fama dos animais de uniforme inspirou Giovanni a criar um perfil nas redes sociais, que hoje soma mais de 1,1 milhão de seguidores. O perfil mostra a rotina e as brincadeiras dos animais com os irmãos Nagalli e Flávia. Os tutores estão organizando novas buscas, com o apoio de moradores locais, para o sábado (18).



