O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou o arquivamento do inquérito que investigava a morte da influenciadora digital Bárbara Jankavski Marquez, conhecida como 'Barbie Humana', em 2 de novembro de 2025, na Zona Oeste da capital paulista. O pedido, formalizado em 28 de junho de 2026, baseia-se em laudos periciais que confirmaram que a morte foi acidental, causada por intoxicação por consumo de drogas, e não por crime.
Conclusão da perícia após exumação
De acordo com a Promotoria, o laudo necroscópico complementar, realizado após a exumação do corpo, descartou asfixia e qualquer tipo de violência física, como estrangulamento. O ferimento no olho da influenciadora foi atribuído a uma queda, mas não foi determinante para o óbito. A perícia apontou que Bárbara morreu em decorrência de um infarto fulminante provocado por intoxicação exógena aguda por 'cocaetileno' — substância resultante da combinação de cocaína com álcool. Segundo os peritos, o cocaetileno é mais tóxico ao coração e ao sistema nervoso do que a cocaína isoladamente, podendo causar arritmias, parada cardíaca e morte súbita.
Investigação e teses descartadas
A polícia investigava inicialmente a possibilidade de homicídio, lesão corporal ou omissão de socorro, tese defendida pelos advogados da família. No entanto, o MP concluiu que não há elementos mínimos para sustentar a ocorrência de crime. As testemunhas não relataram agressões ou conflitos antes da morte, e os exames não identificaram lesões traumáticas capazes de causar o óbito. O defensor público Renato de Vitto, de 51 anos, em cuja casa a influencer foi encontrada, chegou a ser investigado, mas o MP entendeu que não houve ação humana determinante para a morte.
Contexto da morte e cronologia
Bárbara, de 31 anos, foi encontrada pela Polícia Militar seminua, com manchas no corpo e uma lesão no olho, na residência de Renato de Vitto, no bairro da Lapa. Ela havia sido contratada por ele como garota de programa. Segundo depoimentos, após relações sexuais, o grupo consumiu cocaína, cachaça, cerveja e energético. Bárbara dormiu e não acordou mais. Renato acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou o óbito. O defensor pediu afastamento da Defensoria Pública por estresse traumático.
Arquivamento e possibilidade de reabertura
Antes do pedido de arquivamento, o caso foi retirado do Tribunal do Júri em 12 de junho, após a Justiça acolher manifestação do MP de que não havia indícios de crime doloso contra a vida. A investigação retornou a uma vara criminal comum. Na nova manifestação, o MP afirma que a prova pericial é conclusiva e pede o arquivamento por ausência de justa causa, mas ressalta que as investigações podem ser reabertas se surgirem novas provas. O caso foi inicialmente investigado pelo 7º Distrito Policial (Lapa) e pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que concluíram pela ausência de crime.
Quem era a 'Barbie Humana'
Bárbara Jankavski Marquez ficou conhecida nas redes sociais como 'Barbie Humana' por compartilhar conteúdos sobre estética corporal e procedimentos estéticos, inspirados na boneca. Ela também usava o apelido 'Boneca Desumana' e somava mais de 400 mil seguidores no Instagram e TikTok. Segundo a própria influenciadora, ela investiu mais de R$ 300 mil em 27 cirurgias plásticas para se assemelhar à Barbie. O g1 tenta contato com os advogados da família e a defesa de Renato para comentários.



