O Mercado Municipal de Ribeirão Preto, conhecido como Mercadão, é hoje um dos principais cartões-postais da cidade. Mas sua trajetória foi marcada por tragédias e superação. Há oito décadas, um incêndio de grandes proporções destruiu completamente o prédio original, localizado na Rua São Sebastião, na noite de 7 de outubro de 1942. As causas do fogo nunca foram oficialmente confirmadas, mas o episódio quase deixou os comerciantes sem local para trabalhar.
O incêndio e as consequências
Com a destruição do imóvel, os trabalhadores do Mercadão perderam todas as mercadorias e foram transferidos para barracas improvisadas na Avenida Francisco Junqueira, próximo ao córrego da cidade. O que era para ser uma solução temporária se arrastou por quase duas décadas. As estruturas precárias enfrentavam problemas de higiene, e o mau cheiro gerava constantes reclamações da população.
Quinze anos antes do incêndio, em 7 de março de 1927, o mercado já havia sofrido com uma forte enchente que alagou todo o quarteirão, causando prejuízos aos comerciantes. Tecidos, roupas, ferramentas e sementes foram danificados ou levados pela água.
As origens do Mercadão
A ideia de criar um mercado público em Ribeirão Preto surgiu em 1881, para que os moradores tivessem um local para abastecer suas despensas. O projeto demorou a sair do papel e só foi aprovado em 1888, após discussões sobre a regulamentação do comércio de frutas. A inauguração oficial ocorreu em 29 de outubro de 1900, com estrutura de madeira construída pela empresa Folena & Cia, que também administrou o espaço nos primeiros oito anos. Depois, a Prefeitura assumiu o controle mediante pagamento de 120 contos de réis (valor equivalente a cerca de R$ 14 milhões hoje).
Desde o início, o Mercadão se consolidou como importante centro comercial, vendendo alimentos, ferramentas, relógios e outros produtos. A proximidade com a estação ferroviária facilitava a chegada de visitantes, e produtores rurais usavam carroças para compras e transporte.
A lenta reconstrução
Após o incêndio, a reconstrução foi adiada por anos. A Prefeitura alegava falta de recursos, mesmo após um contrato assinado em 1949 pelo prefeito José de Magalhães autorizando a obra. Além das dificuldades financeiras, os comerciantes enfrentavam preconceito e eram destratados por parte da população. A reconstrução só começou a se concretizar em 1958.
O novo prédio foi projetado com seis entradas e amplo espaço interno. A fachada ganhou um mural de azulejos do artista italiano Bassano Vaccarini, que se tornou uma das marcas visuais do local.
Patrimônio histórico
Mais de seis décadas após a reinauguração, o Mercadão continua sendo um ponto de comércio e convivência. Em 20 de janeiro de 1993, foi reconhecido como Patrimônio Histórico do município, essencial para a memória e cultura da cidade.
Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', da EPTV, afiliada da TV Globo, em celebração aos 170 anos de Ribeirão Preto, completados em 19 de junho.



