Reabertura do Estreito de Ormuz não deve encerrar crise do petróleo, alertam especialistas
Reabertura do Estreito de Ormuz não deve encerrar crise do petróleo, alertam especialistas

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está prestes a completar 100 dias, e as negociações para encerrar o conflito avançam sob pressão do Congresso americano sobre o presidente Donald Trump. Muitos políticos, empresários e investidores acreditam que uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial – derrubará os preços de energia, liberando petroleiros e navios de gás atualmente parados no Golfo Pérsico.

No entanto, executivos do setor petrolífero, líderes da indústria naval e economistas preveem o contrário. Segundo eles, a paz não fará com que os mercados de energia e as cadeias de suprimentos globais voltem imediatamente ao normal, e os impactos podem durar muitos meses – ou até anos. Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, afirmou a investidores que, mesmo com a reabertura imediata, 'levaria meses para o mercado se reequilibrar', e que a normalização poderia se estender até 2027 se o fechamento durasse mais algumas semanas.

O tráfego pela estreita via marítima entre o Irã e Omã permanece em uma fração do nível normal, apesar de um cessar-fogo frágil e negociações de paz com repetidos retrocessos. Os preços do petróleo continuam cerca de 30% acima dos níveis anteriores à guerra, mantendo gasolina, diesel e fertilizantes significativamente mais caros, pressionando a inflação global e elevando os preços dos alimentos.

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Especialistas afirmam que as empresas de transporte marítimo precisarão recuperar a confiança para enviar tripulações de volta à região, o que pode exigir um período de observação de 30 a 45 dias, além de medidas de segurança como patrulhas navais internacionais. Armadores e tripulações continuam cautelosos devido à persistência de ataques a navios – só na última semana, várias embarcações foram atingidas, segundo o CEO da Chevron, Mike Wirth, que prevê uma reabertura 'intermitente'. Neil Crosby, da Sparta Commodities, destacou que 'basta um único ataque a um navio para afastar a grande maioria deles'.

O Lloyd's de Londres registrou aumento acentuado nos prêmios de risco de guerra para travessias pelo Estreito de Ormuz, que continuam elevados mesmo após o cessar-fogo iniciado em 8 de abril. Quando a via for considerada segura, os petroleiros presos dentro do Golfo Pérsico precisarão sair com segurança, processo que pode levar oito semanas ou mais. Além disso, os danos físicos à infraestrutura energética da região representam outro grande atraso: dezenas de campos de petróleo, oleodutos, refinarias e instalações de GNL foram atingidos, com custos de reparo estimados entre 25 bilhões e 58 bilhões de dólares, segundo a Rystad Energy.

O complexo de Ras Laffan, no Catar, foi o mais afetado, com ataques iranianos eliminando 17% da capacidade de GNL do país; autoridades catarianas alertam que os reparos podem levar de três a cinco anos. Produtores de GNL também podem passar anos resolvendo disputas contratuais por entregas não realizadas, com atrasos que podem afetar cronogramas de transporte até 2027. Outras instalações energéticas podem levar semanas ou meses para voltar a operar, devido à necessidade de testes rigorosos de segurança, impactos de longas paralisações e escassez de peças de reposição.

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