O mercado financeiro brasileiro teve um dia de alívio nesta sexta-feira, impulsionado pela prévia da inflação, o IPCA-15, que veio abaixo do piso das expectativas. O índice subiu 0,17% em julho, ante projeções de 0,20% a 0,40%, e ficou no limite inferior do intervalo. O resultado fez com que os juros futuros recuassem em toda a extensão da curva, abrindo espaço para um novo corte na Selic. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 1%, aos 118.500 pontos, puxado por ações de consumo e utilities.
Petrobras no radar
A Petrobras será destaque no segundo trimestre? Dados de produção divulgados hoje podem dar mais sinais sobre isso. A estatal informou que a produção média de petróleo e gás no Brasil foi de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em junho, queda de 2% ante maio. O mercado aguarda o balanço completo no início de agosto. Segundo analistas do BB Investimentos, a empresa pode surpreender positivamente se mantiver a disciplina de custos.
Santander Brasil: o que falta saber
O Santander Brasil divulgou lucro líquido de R$ 3,2 bilhões no segundo trimestre, alta de 10% ante o mesmo período de 2023. Contudo, as ações (SANB11) ainda caem 15% no ano. O balanço mostrou aumento da inadimplência, mas melhora na margem financeira. Falta saber o guidance para o segundo semestre e como a exposição a crédito consignado se comportará com a queda dos juros. O mercado reage com cautela.
Seguradoras rebaixadas
As ações de seguradoras como BBSE3 e CXSE3 estão sendo rebaixadas por analistas, devido ao cenário de juros mais baixos e concorrência acirrada. O setor de seguros sofre com margens comprimidas, apesar do aumento da demanda. A recomendação de venda para BB Seguridade (BBSE3) foi reiterada por pelo menos três casas nesta semana.
JPMorgan ajusta apostas
O JPMorgan elevou a recomendação para JBS de neutra para compra, citando valuation atrativo e recuperação da demanda global. Ao mesmo tempo, rebaixou Minerva (BEEF3) de compra para neutra, após forte alta recente. A cervejaria Ambev (ABEV3) segue como favorita do banco no setor de consumo.
Fitch alerta sobre IA
A agência de classificação de risco Fitch alertou que a correção no mercado de inteligência artificial está se tornando um importante risco de crédito global. Empresas de tecnologia que investiram pesadamente em IA podem enfrentar dificuldades se a monetização não se concretizar. Isso afeta bonds de empresas como Microsoft e Alphabet, mas também pode impactar fornecedores brasileiros.
Caixa repassa lucro do FGTS
A Caixa confirmou o repasse de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS aos trabalhadores. O valor será creditado nas contas dos cotistas até o final do mês. A medida injeta recursos na economia e pode ajudar no consumo.
Trump prorroga emergência sobre Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogará por um ano a emergência nacional relacionada ao Brasil, conforme decreto que será publicado. A medida se refere a supostas ameaças à segurança nacional, mas sem detalhes. A decisão foi tomada após ofensas recentes do presidente argentino Javier Milei a autoridades brasileiras, que geraram 84,3% de críticas nas redes.
Fluxo cambial negativo
O fluxo cambial total em julho até o dia 23 está negativo em US$ 538 milhões, segundo o Banco Central. A saída de recursos reflete a remessa de lucros e dividendos por empresas estrangeiras, além de maior procura por dólar para viagens.
Coca-Cola celebra hidratação da Copa
A Coca-Cola comemorou as pausas para hidratação durante a Copa do Mundo feminina, o que elevou suas previsões anuais de vendas. A empresa viu aumento no consumo de água e isotônicos, e agora projeta crescimento de 5% no volume de vendas globais.
Outros destaques
A TIM e a Vivo foram os destaques de queda do Ibovespa após balanços do 2T, que mostraram aumento de custos. As ações caíram mais de 2% cada. Já as utilities, como Equatorial e Neoenergia, subiram após o JPMorgan apontar oportunidades seletivas. No segmento de FIIs, a Hedge fechou acordo para vender edifício no Morumbi por R$ 86,4 milhões. Por fim, o gestor da Armor alertou que o quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos.



