Golpistas estão utilizando o Instagram para aplicar uma nova fraude: criam perfis falsos que copiam empresas reais, anunciam promoções fictícias e desaparecem com o dinheiro das vítimas. Em Florianópolis, o brechó Brechik foi alvo dos criminosos. A gestora Carla Machado conta que uma cliente enviou um print de um perfil que se passava pela loja, usando o nome, a logo, a descrição e imagens do negócio fundado por sua avó há mais de 40 anos.
O perfil falso passou a divulgar ofertas com preços muito abaixo do normal. Jeniffer Santos, que já seguia a loja oficial, foi uma das vítimas: 'Começou a aparecer muito anúncio, com preços maravilhosos. Acabei caindo no golpe'. Comprovantes de pagamento indicam que os golpistas podem ter realizado mais de 17 mil vendas falsas. As vítimas denunciaram o perfil falso, mas quem acabou banido foi o perfil verdadeiro da loja.
Especialistas orientam buscar a Justiça. O advogado Luís Restanho explica: 'Como a plataforma não fornece um prazo de resposta, a saída para uma medida rápida é entrar com pedido judicial'. Em alguns casos, o prejuízo leva empresas à falência. Segundo a Fecomércio-SP, 60% das pequenas empresas vítimas de ataques cibernéticos fecham as portas em até seis meses.
O setor hoteleiro também é alvo frequente. Em Trancoso, na Bahia, mais da metade dos donos de hotéis já relatou ter sido vítima de fraudes em redes sociais. A empresária Carol Kratz convive com o problema há cinco anos: 'Essa semana eu denunciei um perfil novo. Eles falaram que o perfil não era contra as diretrizes, e que o máximo que eu podia fazer era bloquear. Mesmo o meu perfil sendo verificado'. Os golpistas clonam todas as fotos do hotel e anunciam promoções falsas.
Para alcançar mais vítimas, os criminosos pagam por anúncios nas próprias plataformas. O delegado Thiago Henrique Moreira afirma: 'Essas organizações acabavam gastando uma grande quantia em dinheiro para impulsionar os anúncios. Quando quebramos o sigilo bancário de um dos investigados, encontramos um pagamento de R$ 106 mil para o Facebook'. Segundo ele, as investigações esbarram na falta de colaboração das plataformas: 'Temos uma investigação há cinco anos parada, aguardando informações básicas sobre faturamento das redes sociais'.
A pedido do Fantástico, o NetLab da UFRJ analisou anúncios de contas falsas se passando por grandes marcas de varejo. Em quatro dias, foram identificados 277 anúncios fraudulentos, com 72% ativos por dois dias. O jornal americano The Wall Street Journal revelou que a Meta — dona do Instagram, Facebook e WhatsApp — é responsável por quase metade dos golpes identificados por uma plataforma de pagamentos entre 2023 e 2024. Um relatório interno de 2022 da Meta apontou que 70% das novas contas de anunciantes são criadas para promover fraudes. Ex-funcionários disseram que são necessárias mais de 30 denúncias para derrubar um perfil. A Meta afirmou que não permite fraudes, que aprimora suas tecnologias e que 85% das contas de anúncios banidas nunca gastaram dinheiro na plataforma.



