Mais de 50 famílias indígenas no Paraná recorrem a água de riachos por falta de abastecimento
Mais de 50 famílias indígenas no Paraná recorrem a água de riachos por falta de abastecimento

Mais de 50 famílias indígenas estão consumindo água de riachos devido ao abastecimento insuficiente em uma área de 220 hectares em Terra Roxa, no Oeste do Paraná. A área, conhecida como Fazenda Brilhante, foi adquirida pela Itaipu Binacional em agosto de 2025 como parte de um acordo histórico homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para reparar danos causados pela construção da usina hidrelétrica entre 1975 e 1984.

Segundo as lideranças das comunidades, o fornecimento atual não atende às necessidades das famílias. Um caminhão-pipa abastece as aldeias Tekoha Koenju, Yvyratã Porã e Arapoty duas vezes por semana, com cerca de seis mil litros por comunidade em cada entrega. Ao todo, são aproximadamente 36 mil litros semanais para 56 famílias, o que representa que cada pessoa pode utilizar, em média, cerca de 20 litros de água por dia — volume abaixo do mínimo recomendado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que é de 100 litros.

Em março de 2025, no acordo homologado com o STF, a Itaipu se comprometeu a oferecer infraestrutura básica aos indígenas assentados nas terras adquiridas. No entanto, oito meses após a primeira compra, os moradores recorrem a fontes improvisadas para ter acesso a água potável. Em nota, a Itaipu Binacional informou que atua em parceria com o município de Terra Roxa e com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) para buscar uma solução, com previsão de obras a melhorar a distribuição de água.

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A falta de água na comunidade indígena foi denunciada no fim de abril em um ofício produzido pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), por meio do Laboratório Etnoterritorial. O documento foi enviado à Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), Defensoria Pública da União (DPU) e ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando providências para que a Sesai oferte ao menos 100 litros de água por pessoa/dia.

A Defensoria Pública do Paraná informou que abriu um procedimento para apurar as condições de acesso à água nas comunidades indígenas da região. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também vê com preocupação a situação. Em agosto de 2025, um relatório do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) já alertava sobre a falta de água, e a Sanepar reconheceu a insuficiência no abastecimento durante a visita.

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